domingo, 7 de abril de 2013

ENIGMA EM FORMA HUMANA FEMININA

ENIGMA EM FORMA HUMANA FEMININA



Questão de honra descobrir quem ela é. Ou o que ela é. Esse ser noturno. A noite é seu tempo comum. Era sábado e estavamos cada um em sua casa. Em comum, o chat do facebook. Seres estranhos também utilizam tecnologia.
Por mais de duas horas eu tentei em vão perscrutar esse ser. Minhas habilidades mostrariam-se inúteis e falíveis.



Ela não é um ET, nem um OVNI. Por razões óbvias. Disse publicamente ser um OVNI. Mas era para despistar. Tinha uma certeza: ela esquiva-se com habilidade única.
Minha primeira dúvida residiu entre ser vampira ou vagalume. Ela eliminou ser vagalume.
Arrisquei-me e como era madrugada, pedi a eternidade. Afinal, como dizem, sou do lado negro da força e possuir a vida eterna me fascina. Mas ela não voou até minha janela para oferecer-me. Meu pescoço e mortalidade estavam preservados. Logo, vampira não era.
Perguntei sobre gostar do mar. Tinha uma desconfiança que seria uma sereia. E com uma negativa própria, peculiar, desfez minha intuição. Estava difícil. E reclamei. Ela não facilita.
Daí revelou-me gostar do campo, da mata. Ela é assim, mostra-se em pequenas doses.
Minhas deduções seguiram. A cuca era feia. A caipora também. A mula é sem cabeça. Nada combinava. Estava confuso.
Olhem que não sou curioso. Mas esse enigma em forma humana feminina de deixou assim. Nada era elementar nessa criatura.
Por um instante lembrei-me da lenda de Naiá – Naiá vitória-régia. E ela sorriu.






Disse-me ter ouvido quando criança, mas não lembrava. Foi o mais próximo que cheguei. Ela mesma reconheceu.
(Leiam sobre a lenda em:
http://rascunho1966.blogspot.com.br/2013/02/naia-vitoria-regia.html.)
Era quase meia noite. Não havia lua cheia. Noite calma de vento leve. Um silêncio nas bandas de cá me confidenciava: era chegada sua hora. Iniciaria em instantes seu ritual de transformação.
Como estava longe, eu não poderia distinguir entre Naiá ou feitiço de Áquila (
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ladyhawke).
Estava preservada sua identidade intrínseca.

OZEAS RAMOS

sexta-feira, 5 de abril de 2013

TOPÓ 3 – O BRUXO


– O BRUXO

Não passe sem olhar
Não olhe sem entrar
Não entre sem cortar
Não corte sem pagar
Barbearia Topó

Nunca achei uma palavra que definisse TOPÓ. Ele tinha um modo particular de dirigir-se a todas as pessoas. Tratava com todos de todas as idades e sexo. Não havia distinção de tratamento. Qualquer um recebia o mesmo tratamento. Não permitia privilégios. Seria atendido quem primeiro chegasse. Logo todo mundo gostava dele.

Ainda moleque ele me deu uma notícia:

- Gordo (eu era magro), você vai ficar careca (eu tinha muito cabelo nessa época)!

Lembro que perguntei pra ele se isso era notícia que um barbeiro desse a um cliente.

Mas, havia uma atitude que eu achava chato na hora, engraçada depois, e que ele repetia com frequência.

Ao passar uma grávida, ele parava o atendimento ao cliente que estivesse sentado, batia a tesoura que é um agir comum dos barbeiros, e saía até ela. Quem estivesse sentado ficava esperando o barbeiro belenense fazer suas relações públicas e marketing. Ele falava com todos e é claro com aquele futuro cliente ainda no ventre da mãe. Por isso eu o chamava de bruxo. Era como se quisesse hipnotizar a criança (eu dizia para ele). Após nascer, quando precisasse cortar cabelo o moleque já “saberia” a quem procurar. A qual barbearia dirigir-se.

Ele apenas ria sorriso curto. Nunca reclamou das bobagens que dizia pra ele.

Lá só não era permitido perguntar preços dos serviços como eu fazia sempre:

Cabelo tá quanto?

E barba?

Hummm

E pentelho Topó?

Como ele dizia em tom mais sério:

- pentelho é de graça gordo.

- Fulano, pegue o álcool e fósforo...


OZEAS RAMOS




: TOPÓ PARTE 1

: TOPÓ PARTE 2

EDADUAS


De tanto que deixei de mim aí
E de quanto trouxe de você comigo
Que a saudade está invertida
EDADUAS


quinta-feira, 4 de abril de 2013

MARCAS



MARCAS


Como sudário

Sacrossanto

Tua imagem em mim

Impregnada

Marcas

Amor

Leveza

Deixa-me bobo

Embebido

Por teu sorriso
E carícias

OZEAS RAMOS

FARFALHAR

 

Direitos X liberdade de expressão

Difícil tarefa a de conciliar a luta por direitos X liberdade de expressão.
Mas é um exercício necessário.
 


 


















OZEAS RAMOS
www.rascunho1966.blogspot.com.br

quarta-feira, 3 de abril de 2013

TOPÓ 2 – MINHA PRIMEIRA BARBA


– MINHA PRIMEIRA BARBA

Não passe sem olhar
Não olhe sem entrar
Não entre sem cortar
Não corte sem pagar
Barbearia Topó

Com todas as transformações pelas quais passam um adolescente, eu não teria uma que toma atenção de muitos nessa idade: ver a barba crescer. Tenho cabelo por todo corpo e até na segunda falange dos dedos. Na escola diziam: se demorasse mais 5 minutos nascia macaco. Bullying não é coisa nova.

Chegara a hora. Pensem em quantos dias treinando fazer tal pedido?

- A barba, por favor.

- Gostaria de fazer a barba.

Tudo bem treinado, afinal essa angústia era por ser a primeira. Lá vou eu.

Estava com doze anos e, já acostumado com meu barbeiro falante, me sentei no que seria minha cadeira preferida, e com tom exigente pedi-lhe: - barba. - É o que chamamos fazer barba.

Ele tinha um sorrir curto que ficava entre o deboche e o não entender. E assim sorriu.

- Como é? - Perguntou-me.

E eu cheio de ousadia: - fazer a barba. - Já acomodado na cadeira.

Novo sorriso. Deve ter se passado umas seis horas entre esse sorriso e sua próxima fala.

- Levante menino. Para fazer sua barba, terei que pedir permissão para seu pai.

Dias treinando meu pedido e ele surge com essa. Levantei-me com raiva própria dos frustados e tratei de cair fora. Nunca mais volto. Tá, pensei uns palavrões.

Dois ou três dias após, passando à frente da barbearia ele me chama e informa-me:

- Falei com seu pai, ele me autorizou. Quando quiser pode vir que farei sua barba.

O que aconteceu sem novidade.


OZEAS CB RAMOS


PARTE 3: http://rascunho1966.blogspot.com.br/2013/04/topo-parte-3.html

PARTE 1: http://rascunho1966.blogspot.com.br/2013/03/topo-parte-1.html

SECA




SECA

A estiagem causticante
Não mata de sede o bode e o carneiro,
Não seca plantas e raízes,
Não deixa sem alimento a vaca e a carijó,
Nem destrói a alma do sertanejo
Quem perde com a seca
E perde a vida é a terra.
É ela que mata a sede com suas aguadas
Que sacia a fome com suas sementes e raízes
E mitiga o sofrimento do caboclo.
Todos eles: plantas, animais e gente
Vendo a terra sofrer
Morrem em solidariedade a ela.


OZEAS CB RAMOS
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