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sexta-feira, 22 de abril de 2016

LEMBRANÇAS LEMBRANÇAS LEMBRANÇAS




O tempo, esse senhor carrancudo revela-se inexorável em sua essência. Passou, deixou de ser tempo. Pois ele é atual. O tempo é...
Mas nós, humanos teimosos que não "aceitamos esse tempo passado" conseguimos revivê-lo nas lembranças! É assim que trazemos o passado para pertinho da gente. Ressuscitamos o lado bom da vida que a própria vida vai lentamente tirando de nós...
Lembranças têm gosto bom! Lembranças boas trazem o cheiro de uma vida que valeu à pena...
E vivas às nossas lembranças!!!

Eu ainda ouço o som da queda de um abacate... (Tinha menos de seis anos).
Sinto o cheiro da carne cozida que minha avó fazia... e eu aguardava para almoçar (eu tinha menos de dez anos).
Eu ainda ouço "pai, deixa um bolinho pra mim?... (Já passaram vinte anos).

Lembranças... lembranças... lembranças!


OZEAS CB RAMOS
www.rascunho1966.blogspot.com.br

sexta-feira, 15 de abril de 2016

TENEBROSO OUTONAL



TENEBROSO OUTONAL


Fazia tempo que não via um dia assim tão outonal.
Um amigo comentando uma das imagens abaixo disse: apocalíptico!
Em questão de minutos o dia (foto 1) que não começou com sol a plena luz, terminaria com muita chuva (foto 2).




Soube que em algumas cidades do Estado da Bahia a chuva marcou presença aliviando o número de cidades que estavam em situação de emergência. Li que eram 130.

Com a chuva indo e vindo, enfraquecendo e despencando "de com força", por duas vezes a energia se foi... Às escuras recorri a iluminação de uma vela (foto 3). Pretendi preservar o celular para o caso da falta de energia ser mais prolongada. Em um passado recente isso não era resolvido em menos de quatro horas. Com as novas medidas da companhia elétrica a coisa ficou bem mais tranquila.







Como se pode ver a vela não estava em seus melhores dias. O caçula buliçoso deixou-a nesse estado. Esteve guardada em minha gaveta por mais de um ano esperando por ser usada. E nem foi preciso usar um terço dela, pois a energia retornou em definitivo após alguns poucos minutos.

Eu gosto do ambiente assim! Não acho ruim quando a luz é pouca, pois simula um dos momentos que mais gosto e tenho lembrança: a vida na roça com o candeeiro ou lampião (foto 4).






A última vez que fui ao céu (referência a Itaberaba-BA) experimentei esse prazer. E olhem que a iluminação esteve a cabo da lua do lado de fora, e de uma lamparina a gás e de um candeeiro do lado de dentro.







E aí? Como anda o seu outono?

Um abraço.




RASCUNHO1966
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DIVAGAÇÃO ENDEREÇADA A UM AMIGO



DIVAGAÇÃO ENDEREÇADA A UM AMIGO



Meus respeitos mestre.

Meu amigo expressou UTOPIA. Seu desejo, votar em gente sem o vício corrompido da política partidária atual.
Minha utopia diria mais simplória, seria que, após o impedimento da senhora presidente, e por sequência sucessória natural assumisse o nobre vice presidente.
Nada disso satisfaz meu desejo e compreensão do roteiro ideal. Mas esse DESgoverno perdeu o rumo. Precisa acabar e urgente.
Aí, o homem já em sua rota final de colisão com a própria existência (pela idade que tem), recaindo sobre si o mais alto e puro amor cívico, ainda no ato de posse, tão logo assinasse o termo que lhe conferiria o comando da nação, faria o seguinte em seu discurso célebre de poucas palavras iniciais:
Brasileiras e brasileiros
EU RENUNCIO!


Novas eleições seriam marcadas e teríamos uma nova chance de remontar a nossa cambaleante democracia. Sem os elementos dos últimos trinta anos. Nada de saídos do atual governo, ex recentes, nem a velha representação da oposição mambembe. Tudo novo!

Do prefeito ao vereador
Do governador ao deputado estadual
Do presidente, senador e deputado federal.
Tudo gente nova... Ainda que fossemos sofrer um tempo por essa gente menos tarimbada.

Porque amigo, você tem razão. (Essas palavras são minhas):
Com essa corja (leia safra) nós tamo é lascado. É cada um, a seu modo, pior que o outro.

Cuidariamos de fazer uma reforma política. Isso é urgente.
Depois alinhar uma melhoria em nossos códigos e leis. Viria uma rigorosa reforma no judiciário. Pente fino em tudo.
Tratar das reformas da previdência, da área fiscal e administrativa, e seguir arrumando a casa.
Da reforma política diminuição urgente do número de partidos. Redução do número de cadeiras nas casas legislativas e acabaríamos de um só golpe com o nefasto instrumento da reeleição.
Enxugar o estado e modernizá-lo. O diabo da burocracia tem que diminuir.

Educação como item primordial e eleger com referendos as demais prioridades.

Livrar das casas legisativas o uso abusivo do poder das bancadas da bala, da terra, evangélica, etc.

Em um outro patamar mudar o sistema politico. Semi presidencialismo ou parlamentarismo. Acabar com esse jogo de sedução com o congresso. O toma lá dá cá.

Vou utopiando... e tenho que parar! Esse filme não teria patrocínio para ser levado a cabo, e se fosse um sonho, por certo eu acordaria ainda nas primeiras partes...

A utopia é o lado ingênuo dos bons.


Com respeito,

Ozeas CB Ramos

sábado, 9 de abril de 2016

segunda-feira, 21 de março de 2016

FIM DE TARDE...




Fim de tarde...
A lua brinca de surge/esconde por entre as densas nuvens.
As nuvens ameaçam chuva mas o vento espalha... elas voltam... vento espalha.
Nesse faz de conta a noite vai tomando seu lugar...
Como a vida - efêmera e tudo passa... sol, lua, nuvens, chuva.
Tudo passa!

OZEAS CB RAMOS

domingo, 28 de fevereiro de 2016

SERIA ABSURDO SE NÃO FOSSE NO BRASIL...


CLIQUE E LEIA A MATÉRIA

http://www.dn.pt/sociedade/interior/literatura-portuguesa-deixa-de-ser-obrigatoria-no-brasil-5039149.html

SERIA ABSURDO SE NÃO FOSSE NO BRASIL...


Pode vir travestido de quaisquer porquês, imbuídos de tantos sentidos, todos bons ou ruins. Pode não faltar ideias e muito menos ciências nesses propósitos... Mas ele é tão absurdo, tão sem "noção" que a gente aqui, pobres e reles mortais sem a vênia do conhecimento desses ilustres, ficamos a "pensaire": Oh! portuga, a piada da vez somos nós!!!

Esses "ilustres" agem como se dizia:

- Deixa, deixa por apenas a cabecinha... não vou meter toda e vou gozar fora!

Com esses argumentos vão encaixando as suas "inovadoras" descobertas de cunho científico. Umas a gente berra e eles recuam. Outras de tanto insistirem deixamos passar sem a crítica correspondente.

Para esse e outros absurdos o correto mesmo é ser ANACRÔNICO.

Ao final da matéria há uma alusão ao Policarpo Quaresma: saporra deveríamos aprender e falar o guarani... Com tantos idiotas atuais ressuscitamos até os mortos ficcionais...


OZEAS CB RAMOS
www.rascunho1966.blogspot.com.br

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

ENTREVISTA - Sociedade brasileira: violência e autoritarismo por todos os lados - Revista Cult

Sociedade brasileira: violência e autoritarismo por todos os lados - Revista Cult: A filósofa Marilena Chaui analisa a situação política e econômica brasileira e comenta a ocupação das escolas paulistas.


Foto da matéria. Por Bob Souza


Entrevista que demonstra como uma pessoa de boa índole, séria, inteligente, vai da expectativa gerada pelo idealismo socialista vivido anos atrás à sandice de um discurso vazio, microcefálico, grotesco. Discurso que só não é ingênuo dadas as características citadas e reconhecidas acima.

O país destruído em tudo! e esses pseudo-intelectuais de esquerda seguem com o mesmo blá blá blá (hoje em dia se diz mimimi).

Vejamos o que dizem:


  • A situação é mundial;
  • a direita é fascista;
  • toda a luta é neoliberal;
  • a classe burguesa quer destruir conquistas dos mais pobres e da atual classe média;
  • a mídia reforça a tentativa de golpe;
  • e se esse "golpe" vier a cabo haverá uma convulsão social sem precedentes...


Essa gente sofre também de visão distorcida da realidade. Enxergam o mundo como se ainda o projeto comandando pelo partido no poder ainda estivesse no campo ideológico. Como se o aparelhamento do Estado e de suas instituições ainda não existisse de fato e a corrupção não houvesse ganhado forma e proporção nesses últimos 13/14 anos. E, finalmente, como se a práxis da Teologia da Libertação fosse a única maneira de resolver os anseios dos cristãos e pobres dessa terra e a luta entre as classes fosse o problema a ser resolvido... Para eles o mundo ainda é belo e será mais ainda com os postulados socialistas, de esquerda, etc, etc, etc. O mundo ruiu (ao menos o nosso) e alguns não conseguem ainda perceber.

Nossa sociedade vive uma efervescência sem precedentes. Uma revolução geral e irrestrita, onde todos os valores são questionados - todos simultaneamente. O momento atual é tão espectral e difuso que não será com esse pensamento unilateral, de discurso político pré concebido que o país encontrará seu rumo e identidade.

Sim! Nosso país necessita reescrever a sua identidade enquanto nação. O período militar, a conquista da democracia, as conquistas sociais iniciais, o fundo do poço atual, geraram uma crise de identidade. E isso é um dos itens que haveremos de escrever (criar) para as novas e futuras gerações. Um novo Brasil. Esse vivido e experimentado até aqui morreu, servindo apenas como ponto de partida e aprendizado. E essa gente toda, esses atores todos que estão no poder e dele se locupletam forem extirpados da vida política.

Por hora, somos o que sempre fomos: O país do futuro. Mas qual futuro? Não esse implementado por essa geração representada pela digníssima entrevistada.


OZEAS CB RAMOS

domingo, 21 de fevereiro de 2016

INADEQUADA DESADEQUAÇÃO AO TEMPO, ESTILO E FORMAS



INADEQUADA DESADEQUAÇÃO AO TEMPO, ESTILO E FORMAS


A eternamente bela Thi repetia como um mantra: "você gosta dos arcaismos". E ela ainda tem razão (corroborada pela experiência, competência e formação). Como e quanto me compraz a alma a leitura que encontro nos clássicos de nossa literatura.

Por arcaísmo li (internet):
"modo de falar ou de escrever antiquado, por gosto ou imitação; tendência para empregar vocábulos ou expressões arcaicas, antigas".


"Caminhos íngremes e sinuosas veredas serpejavam então pelas faldas sombrias da montanha, e prendiam como num abraço as raras habitações que alvejavam de longe em longe entre o arvoredo. Límpidas correntes, que a sede febril do gigante urbano ainda não estancara, rolavam trépidas pela escarpa, saltavam de cascata em cascata, e iam fugindo e garrulando conchegar-se nas alvas bacias debruadas de relva.

As paineiras em flor meneavam à doce brisa da tarde os brilhantes penachos, como numa festa da roça as mais belas raparigas, soberbas de seus enfeites, balançam airosas ao som da música as frontes toucadas de nastros (sic) de fitas. Cresciam ali bosques espessos de bambus que ciciavam brandamente, enquanto os leques das palmeiras vibrados pelo vento arpejavam como frauta rústica". DIVA - José de Alencar.

As narrativas em linguagem rebuscada, nada coloquial, como acima, encontram eco e abrigo em minh'alma e neles vejo beleza ímpar e singular.

Talvez desse gosto advenha em modus contrário a pouca simpatia pela escrita moderna, mais atual. Não há floreios, não trazem preocupação com a beleza das palavras, nossas tão ricas e belas palavras. Cousas que hoje, por imposição dos "especialistas", ficaram fora de moda por assim dizer. É preciso evoluir. É importante atualizar, modernizar. Dizem com a propriedade e a autoridade que adquiriram em seus elevados estudos científicos e mercadológicos.

Sinto que haja mais interesse em impregnar os leitores com aforismos. Frases fáceis de lembrar e de vender simpatias literárias. Palavras unidas para não "fazer pensar", uma vez que parecem carregar uma verdade inexorável, e em alguns casos, difíceis de serem alcançadas por qualquer um, sendo esses iluminados como uma espécime angélico-divinal imbuídos de tal mister. Leia também: http://rascunho1966.blogspot.com.br/2016/02/frases-soltas.html

Penso que carrego alma de um tal Policarpo Quaresma... e por sorte restam a mim, inúmeros clássicos para deliciar-me como faminto ávido dessas deliciosas antiguidades...


SER ITINERANTE
http://rascunho1966.blogspot.com/2015/…/ser-itinerante.html…

Inadequada desadequação
Equação que não fecha
Como roupa que não veste
E me deixa nu na multidão

É ser não ser constante
O não pertencer a essa vida
E não ser daqui acolhido
Sendo mero itinerante

Na época errada nasci
Ou desse mundo não sou
Pois nada me agrada
Só encontro sentido em ti


OZEAS CB RAMOS

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

DA JANELA










DA JANELA



Paço do Lumiar - região metropolitana de São Luiz-MA.


Da janela eu vejo a vida que passa silenciosa e lentamente. Silêncio que por vezes é quebrado pela afinada sintonia do vento em uivos e silvos breves.

A vida por aqui parece assim: meio sem pressa!

Um carro vai... (uuuuuuuuuuuiiiiii) outro vem. Uma moto ou outra... O povo do lugar economiza as suas saídas. Assim a monotonia é ao menos declarada sossegada e parece institucionalizada.

O povo é bom. Nem desconfiado nem aberto demais. As interações acontecem no ritmo do devir...

Muita coisa é incomum. Na verdade incomum para mim... chato de plantão. E vivo lembrando das coisas da minha terra.

Minha farinha fina e bem torrada! Banana da terra madura e graúda. A carne sertão (como diz O Zé) "boa de gosto". Aqui não tem nada dessas coisas!

Não vejo coqueiro anão e muito menos bananeiras. Tão comuns na boa terra. Em quase todo canto tem ao menos uma mangueira. Quando há espaço surgem duas ou três e coqueiros. Bananas não.

Peixes são vendidos em cada esquina. Os frutos do mar são mais raros por essas bandas. O povo gosta mesmo é de camarão. Seja fresco ou salgado eles deliram quando deliciam em um prato típico.

O céu! Esse céu maranhense merece uma menção. Azul ralinho. Umas poucas nuvens. Diria: monótono! Salvo quando um pôr do sol irrompe a íris e carrega uma bela surpresa.

Enfim, sigo vivenciando, fotografando e quando deixam faço pilhéria de tudo. Na boa e na paz. Sem menosprezo ou prepotência. Apenas curtindo uma cultura diferente desse meu adorado nordeste brasileiro.


https://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%A7o_do_Lumiar




OZEAS CB RAMOS

domingo, 14 de fevereiro de 2016

FRASES SOLTAS...


"Tudo na vida tem um começo,
um meio
e um foda-se".

Essa é mais uma das inúmeras frases soltas viralizadas na web. E como esses diabos fazem sucesso! Tem postagem que ultrapassa facilmente 50.000 curtidas e um sem número de compartilhamentos. Dizem que é "um fenômeno" das redes sociais que propiciou aos novos "escritores" expressarem as suas inspirações...
Salve-me Schopenhauer!
Ajude-me Leandro Karnal!!

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"- Você conserta meu coração?
- Concerto.
(desde então tudo foi música.)"
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"Está fazendo tanto calor que queria
me apaixonar só para sentir um friozinho na barriga".
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"Mil namorarão ao teu lado, e dez mil casarão à tua direita.
Mas tu curtirás o carnaval".
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Se há nas frases citadas alguma virtude (deve haver uma pois até merda de gado tem serventia...) está no fato delas terem seus pais/mães identificados. Esses "fenômenos" se tornaram celebridades exatamente por seus escritos/criaturas virem de alguém que alguém conhece. Ainda que seja um fake, um personagem... Como no passado haviam os pseudônimos, em que, escritores se escondiam para livremente publicarem seus momentos/delírios literários.

Alguém dirá: arte moderna. E como especialistas terão alguma razão. Eu porém, vejo com reservas esse modismo. Pedaço de nada é nada!

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"Ninguém morre virgem.
A vida fode todo mundo antes".
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Após uma frase como essa, que expressa um axioma, um aforismo, sempre surge após uma análise minuciosa, acurada, com o senso crítico aguçado por uma alma inquieta, um infame que CURTE, e comenta - ""CONCERTEZA". VERDADE. HASHUASHUASHUA BOA MESMO"! E claro, compartilha! Afinal, outros tantos carentes de verdades únicas devem ser igualmente alcançados por essa graça!

As pérolas são de uma preciosidade, tipo! assim! - uma grande mistura de nada com coisa nenhuma. Uma leitura menos despretensiosa é o bastante para destruir o encanto que cada frase propõe. E se for feita uma pergunta, mesmo a mais simplória, aí se acaba por completo com a inspiração.
São piores que placebos. São sem significado. E isso passa longe de ser considerada literatura. Quando muito, e por muita boa vontade, um (péssimo) passatempo!

Mas como dizem: é o tempo!

Espero que o tempo dê fim a esse tempo... Com paciência espero! Mas que seja logo...


OZEAS CB RAMOS
Agora com meio século de impaciência!

domingo, 31 de janeiro de 2016

MICROCEFALIA uma discussão sobre o aborto

 Microcefalia reabre discussão sobre aborto no Brasil

Microcefalia reabre discussão sobre aborto no Brasil


Link para a matéria:
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160131_entenda_aborto_microcefalia_ss_lab?post_id=1035582819837301_1035582813170635#share-tools


Mais uma vez o aborto volta ao palco. E como em outros temas polêmicos é preciso ouvir o outro lado.


Em meu pensamento há uma divergência, imagine em uma nação...

Sou contra o aborto. Não por fazer uma divinização da vida... Ainda mais por ver que um deus (qualquer deus desses tantos que foram criados à imagem e semelhança do homem) arquétipo de bondade e sustentação da vida, que "permite" essa desgraça (dentre tantas outras) generalizarem.

Sou contrário, como sou contrário a pena de morte, porque a vida por si só cuidará de cada vivente. Isso é natural. Assim deve ser. Vida e morte é algo natural à vida.

Sou contrário ao aborto, esse aborto do arrependimento tardio de quem tendo a consciência das consequências que seguem um ato sexual, desprezam essa consciência puramente pelo prazer imediato. Trepou cidadão? Engravidou? Cuide. Crie a sua cria. Simples assim.

Agora...
Tem essas situações que a ciência permite prever e antecipar destinos. Como no caso dos fetos acéfalos, já objeto de resolução no STF. Sem a divinização é preciso tratar desse assunto com maturidade. Aqui meu pensamento entra em divergência: eu também gostaria que a mulher, nesses casos de diagnóstico em que uma doença da gravidade dessas citadas, seja ela uma parte importante a ser ouvida e que essa tenha a opinião ouvida e se for o caso respeitada.

É polêmica essa proposta, mas deve-se ter coragem em discutir.

(Só peço encarecidamente que em seu comentário de crítica, sugestão ou de alinhamento de pensamento, que você não venha me falar numa desgraça de um deus - qualquer deus!). A fé sendo sua, guarde-a como um tesouro. Isso não me interessa!

Assunto aqui é vida, morte. Coisas naturais.

Concluo meu devaneio com um comentário da net:
"As vezes, escolher a vida, nada mais é que simplesmente escolher uma forma mais dolorosa, sofrida e demorada de morrer". SABRINA.


OZEAS CB RAMOS

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

POR QUE LITERATURA NACIONAL




"A cachorra Baleia estava para morrer".




Por que se deve ler clássicos da literatura? Digo, clássicos da literatura nacional, brasileiríssima, da terra...???
Leia o nono capítulo* do livro Vidas secas - Graciliano Ramos, capítulo sobre a "cachorra Baleia" (cachorra mesmo e com B maiúsculo)... e, se você não captar o porque ler nossa literatura como prioridade, se você não ficar impactado pela beleza da nossa escrita e narrativa, se você terminar o capítulo que é curtíssimo e não sentir um orgulho desgraçado de ser brasileiro, se você não sentir vontade compulsiva por ler todo o livro...

...


OZEAS CB RAMOS

www.rascunho1966.blogspot.com.br




*
BALEIA



A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pêlo caíra-lhe em vários pontos, as costelas avultavam num fundo róseo, onde manchas escuras supuravam e sangravam, cobertas de moscas. As chagas da boca e a inchação dos beiços dificultavam-lhe a comida e a bebida.

Por isso Fabiano imaginara que ela estivesse com um princípio de hidrofobia e amarrara-lhe no pescoço um rosário de sabugos de milho queimados. Mas Baleia, sempre de mal a pior, roçava-se nas estacas do curral ou metia-se no mato, impaciente, enxotava os mosquitos sacudindo as orelhas murchas, agitando a cauda pelada e curta, grossa nas base, cheia de moscas, semelhante a uma cauda de cascavel.

Então Fabiano resolveu matá-la. Foi buscar a espingarda de pederneira, lixou-a, limpou-a com o saca-trapo e fez tenção de carregá-la bem para a cachorra não sofrer muito.

Sinhá Vitória fechou-se na camarinha, rebocando os meninos assustados, que adivinhavam desgraça e não se cansavam de repetir a mesma pergunta:

- Vão bulir com a Baleia?

Tinham visto o chumbeiro e o polvarinho, os modos de Fabiano afligiam-nos, davam-lhes a suspeita de que Baleia corria perigo.

Ela era como uma pessoa da família: brincavam juntos os três, para bem dizer não se diferenciavam, rebolavam na areia do rio e no estrume fofo que ia subindo, ameaçava cobrir o chiqueiro das cabras.

Quiseram mexer na taramela e abrir a porta, mas sinhá vitória levou-os para a cama de varas, deitou-os e esforçou-se por tapar-lhes os ouvidos: prendeu a cabeça do mais velho entre as coxas e espalmou as mãos nas orelhas do segundo. Como os pequenos resistissem, aperreou-­se e tratou de subjugá-los, resmungando com energia.

Ela também tinha o coração pesado, mas resignava-se: naturalmente a decisão de Fabiano era necessária e justa. Pobre da Baleia. 

Escutou, ouviu o rumor do chumbo que se derramava no cano da arma, as pancadas surdas da vareta na bucha. Suspirou. Coitadinha da Baleia.

Os meninos começaram a gritar e a espernear. E como sinhá Vitória tinha relaxado os músculos, deixou escapar o mais taludo e soltou uma praga: 

- Capeta excomungado.

Na luta que travou para segurar de novo o filho rebelde, zangou-se de verdade. Safadinho. Atirou um cocorote ao crânio enrolado na coberta vermelha e na saia de ramagens.

Pouco a pouco a cólera diminuiu, e sinhá Vitória, embalando as crianças, enjoou-se da cadela achacada, gargarejou muxoxos e nomes feios. Bicho nojento, babão. Inconveniência deixar cachorro doido solto em casa. Mas compreendia que estava sendo severa demais, achava difícil Baleia endoidecer e lamentava que o marido não houvesse esperado mais um dia para ver se realmente a execução era indispensável.

Nesse momento Fabiano andava no copiar, batendo castanholas com os dedos. Sinhá Vitória encolheu o pescoço e tentou encostar os ombros às orelhas. Como isto era impossível, levantou um pedaço da cabeça.

Fabiano percorreu o alpendre, olhando as barúna e as porteiras, açulando um cão invisível contra animais invisíveis:

-Ecô! ecô!

Em seguida entrou na sala, atravessou o corredor e chegou à janela baixa da cozinha. Examinou o terreiro, viu Baleia coçando-se a e esfregar as peladuras no pé de turco, levou a espingarda ao rosto. A cachorra espiou o dono desconfiada, enroscou-se no tronco e foi-se desviando, até ficar no outro lado da árvore, agachada e arisca, mostrando apenas as pupilas negras. Aborrecido com esta manobra, Fabiano saltou a janela, esgueirou-se ao longo da cerca do curral, deteve-se no mourão do canto e levou de novo a arma ao rosto. Como o animal estivesse de frente e não apresentasse bom alvo, adiantou-se mais alguns passos. Ao chegar às catingueiras, modificou a pontaria e puxou o gatilho. A carga alcançou os quartos de Baleia, que se pôs latir desesperadamente.

Ouvindo o tiro e os latidos, sinhá Vitória pegou-se à Virgem Maria e os meninos rolaram na caca chorando alto. Fabiano recolheu-se. 

E Baleia fugiu precipitada, rodeou o barreiro, entrou no quintalzinho da esquerda, passou rente aos craveiros e às panelas de losna, meteu-se por um buraco da cerca e ganhou o pátio, correndo em três pés. Dirigiu-se ao copiar, mas temeu encontrar Fabiano e afastou-se para o chiqueiro das cabras. Demorou-se aí por um instante, meio desorientada, saiu depois sem destino, aos pulos.

Defronte do carro de bois faltou-lhe a perna traseira. E, perdendo muito sangue, andou como gente em dois pés, arrastando com dificuldade a parte posterior do corpo. Quis recuar e esconder-se debaixo do carro, mas teve medo da roda.

Encaminhou-se aos juazeiros. Sob a raiz de um deles havia uma barroca macia e funda. Gostava de espojar-se ali: cobria-se de poeira, evitava as moscas e os mosquitos, e quando se levantava, tinha as folhas e gravetos colados às feridas, era um bicho diferente dos outros. Caiu antes de alcançar essa cova arredada. Tentou erguer-se, endireitou a cabeça e estirou as pernas dianteira, mas o resto do corpo ficou deitado de banda. Nesta posição torcida, mexeu-­se a custo, ralando as patas, cravando as unhas no chão, agarrando-se nos seixos miúdos. Afinal esmoreceu e aquietou-se junto às pedras onde os meninos jogavam cobras mortas. Uma sede horrível queimava-lhe a garganta. Procurou ver as pernas e não as distinguiu: um nevoeiro impedia-lhe a visão. Pôs-se a latir e desejou morder Fabiano. Realmente não latina: uivava baixinho, e os uivos iam diminuindo, tomavam-se quase imperceptíveis.

Como o sol a encandeasse, conseguiu adiantar-se umas polegadas e escondeu-se numa nesga de sombra que ladeava a pedra.

Olhou-se de novo, aflita. Que lhe estaria acontecendo? O nevoeiro engrossava e aproximava­se. 

Sentiu o cheiro bom dos preás que desciam do morro, mas o cheiro vinha fraco e havia nele partículas de outros viventes. Parecia que o morro se tinha distanciado muito. Arregaçou o focinho, aspirou o ar lentamente, com vontade de subir a ladeira e perseguir os preás, que pulavam e corriam em liberdade.

Começou a arquejar penosamente, fingindo ladrar. Passou a língua pelos beiços torrados e não experimentou nenhum prazer. O olfato cada vez mais se embotava: certamente os preás tinha fugido.

Esqueceu-os e de novo lhe veio o desejo de morder Fabiano, que lhe apareceu diante dos olhos meio vidrados, com um objeto esquisito na mão. Não conhecia o objeto, mas pôs-se a tremer, convencida de que ele encerrava surpresas desagradáveis. Fez um esforço para desviar-se daquilo e encolher o rabo. Cerrou as pálpebras pesadas e julgou que o rabo estava encolhido. Não poderia morder Fabiano: tinha nascido perto dele, numa camarinha, sob a cama de varas, e consumira a existência em submissão, ladrando para juntar o gado quando o vaqueiro batia palmas.

O objeto desconhecido continuava a ameaçá-la. Conteve a respiração, cobriu os dentes, espiou o inimigo por baixo das pestanas caídas. Ficou assim algum tempo, depois sossegou. Fabiano e a coisa perigosa tinham-se sumido.

Abriu os olhos a custo. Agora havia uma grande escuridão, com certeza o sol desaparecera. Os chocalhos das cabras tilintaram para os lados do rio, o fartum do chiqueiro espalhou-se pela vizinhança.

Baleia assustou-se. Que faziam aqueles animais soltos de noite? A obrigação dela era levantar-se, conduzi-los ao bebedouro. Franziu as ventas, procurando distinguir os meninos. Estranhou a ausência deles.

Não se lembrava de Fabiano. Tinha havido um desastre, mas Baleia não atribuía a esse desastre a importância em que se achava nem percebia que estava livre de responsabilidades.

Uma angústia apertou-lhe o pequeno coração. Precisava vigiar cabras: àquela hora cheiros de suçuarana deviam andar pelas ribanceiras, rondar as moitas afastadas. Felizmente os meninos dormiam na esteira, por baixo do caritó onde sinhá Vitória guardava o cachimbo.

Uma noite de inverno, gelada e nevoenta, cercava a criaturinha. Silêncio completo, nenhum sinal de vida nos arredores. O galo velho não cantava no poleiro, nem Fabiano roncava na cama de varas. Estes sons não interessavam Baleia, mas quando o galo batia as asas e Fabiano se virava, emanações familiares revelavam-lhe a presença deles. Agora parecia que a fazenda se tinha despovoado.

Baleia respirava depressa, a boca aberta, os queixos desgovernados, a língua pendente e insensível. Não sabia o que tinha sucedido. O estrondo, a pancada que recebera no quarto e a viagem difícil no barreiro ao fim do pátio desvaneciam-se no seu espírito.

Provavelmente estava no cozinha, entre as pedras que serviam de trempe. Antes de se deitar, sinhá Vitória retirava dali os carvões e a cinza, varria com um molho de vassourinha o chão queimado, e aquilo ficava um bom lugar para cachorro descansar. O calor afugentava as pulgas, a terra se amaciava. E, findos os cochilos, numerosos preás corriam e saltavam, um formigueiro de preás invadia a cozinha.

A tremura subia, deixava a barriga e chegava ao peito de Baleia. Do outro peito para trás era tudo insensibilidade e esquecimento. Mas o resto do corpo se arrepiava, espinhos de mandacaru penetravam na carne meio comida pela doença.

Baleia encostava a cabecinha fatigada na pedra. A pedra estava fria, certamente sinhá Vitória tinha deixado o fogo apagar-se muito cedo.

Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes.

RAMOS, Graciliano. Vidas secas, 98ªed. Rio de Janeiro: Record. 2005. p. 85-91.


domingo, 24 de janeiro de 2016

ELE - GRACILIANO, EU - RAMOS, A CACHORRA BALEIA E ALGUMAS LEMBRANÇAS




ELE - GRACILIANO, EU - RAMOS, A CACHORRA BALEIA E ALGUMAS LEMBRANÇAS



Desejava iniciar a leitura de Vidas Secas. À frente outras prioritárias leituras me impediam. Uma inconveniente necessidade urgente de aliviar a bexiga me deu a oportunidade; isso às duas e meia da manhã.

Ler definitivamente não me faz bem! Começando pelo fato de algumas coincidências históricas: ele, Graciliano, morou em Palmeira dos Índios, uma cidade alagoana que conheci por tantas andanças que fiz trabalhando mundo a fora (um mundo pequeno diga-se). Um baita reforço nas memórias deixadas de lado pelo passar dos anos e trazidas à baia. Primeiro divagar...

Marquei a segunda menção à cachorra Baleia nem bem começara a terceira página. Despropósito de nome para um animal em pleno sertão! Segundo divagar...

Baleia trouxe à lembrança alguns dos animais com quem convivi. Logo eu que torço o nariz e faço bico para bicho. Gosto mesmo de criar é o que se possa matar pra comer. Para saciar fome. Não bicho para dar trabalho, mais trabalho e mais trabalho. Ou seja: não gosto de bicho.

Um desses, o primeiro que me lembre, foi Bala. Cachorro pequenez (a raça) de focinho pequeno. Na época se dizia: raça original! Orgulho de pobre besta. Trem raivoso que vivia escorraçando a gente da própria casa. Certo dia rasguei um jornal batendo nele em um de seus muitos ataques... Não foi agressão. Foi defesa contra o infeliz que latia e avançava contra mim que já acuado e sentado na parte de cima do sofá não dispunha de alternativa. Esse teve fim velho e doente, e mesmo nesse final ainda me trouxe uma “doce confusão” com a “rainha das verdades incontestes”... Foi-se tarde!

Depois surgiu, como aparição de alma mal assombrada, outro “trem” que chegou “chegando”. Pequeno, branco e valente. Como não se conseguia por um nome e dado sua característica mais marcante, terminou na alcunha de Malandro. O troço percorria a vizinhança e era avistado passeando cada vez mais distante. Mais um ser de repugnante natureza. Praguejava contra Malandro. Dizia que ele iria morrer de morte inusitada: atropelado por um submarino! Porém Malandro seguia mais firme e mais malandro. Até que demos conta do sumiço do Malandro. Andou tanto que não voltou mais. Sumiu!

Tempos depois... Ponha mais um tempo nisso e seguindo um pedido de meu primeiro filho comprei e trouxemos para casa a cadela Radija que era da raça fila brasileiro. Tigresa enorme cuja intolerância raivosa com estranhos rivalizava com a minha (intolerância). Por essa sua fama, sempre desejei colocar à porta uma placa assim: a foto dela e o aviso – cuidado com o dono! Radija morreu velha e virgem.

E chega de lembranças seu Graciliano! Terceira página de seu livro, badalou agora três e meia da manhã e quero (preciso) voltar a dormir antes que seja assaltado pelo terceiro divagar...



OZEAS CB RAMOS
www.rascunho1966.blogspot.com.br

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

OBVIEDADE ULULANTE – MAS NEM SEMPRE...



OBVIEDADE ULULANTE – MAS NEM SEMPRE...



Calma! Calma. Não tratarei de nenhum molusco ou político...

Lendo a cada dia os principais jornais/portais da internet fico com uma sensação nada confortadora. Não digo depressiva, mas como se fosse.

Dê agora uma olhada ainda que rápida nos portais de sua preferência. No primeiro momento evite as notícias banais, como aquelas que tratam das separações dos famosos, da preparação das musas para o carnaval e como essas conquistaram aquele corpo exportação, e ainda, as novidades do novo bbb (minúsculo mesmo).

Pense enquanto lê as demais notícias de modo genérico e global e responda para si mesmo: que humanidade é essa?

Existem duas humanidades possíveis. A nossa, que segue o nosso olhar (particular) sobre o homem e, em seguida, a humanidade real. Você ainda pode ponderar que uma notícia é apenas uma parte de verdade e eu terei que concordar. Isso aqui é assim uma obviedade.

Insista nesse olhar... E vá mais adiante.

Caminhe pela política global e mantenha o foco no(s) SER(es) HUMANO(s).

Em seguida, pela economia.

Por aspectos ligados à nossa relação com o meio ambiente.

E cheguemos ao pensamento religioso. Esse que deveria (dado a seu aspecto mais abrangente e transcendente) melhorar o ser humano e elevá-lo a outra condição, outro patamar, à medida que os anos passam. 

Com todas essas observações feitas a partir do noticiário, a imanente humanidade, como algo que diferencia o ser homem dos demais animais, como que desaparece. Aquela humanidade incipiente que alimentamos a partir do próprio olhar esvai-se. Parecemos tudo, menos seres humanos.

Por um instante responda: o que é o homem? O que é ser HUMANO? Quais características seriam usadas para que você descrevesse a sua visão do que é o homem?

Retome seu pensamento e compare com o que acabou de ler nos jornais...

Assim a obviedade ululante é menos explicita.

Se, e aqui eu peço a sua atenção para esse SE...

Se a sua definição enquanto resposta (à pergunta - O que é o homem?) contiver algo de metafísico, essa sequência de SE tornar-se-á pertinente.

Se fomos criados por um(a) divindade(s), qualquer que sejam seus postulados, a impressão ante às notícias é de que o chamado ser humano, apesar desses milhares de anos, ainda não reflete essa origem divinal. Estamos mais próximos de um animal, de um monstro... E nem me falem em céu. Devo lembrá-los que até lá já houve uma rebelião!

Se a sua crença for baseada na teoria da evolução, a sensação é que estamos involuindo. E como sempre diz um grande amigo “o homem é o pior vírus”. Possuímos uma característica que nasce latente: capacidade de autodestruição e a consequente destruição em derredor.

Marx * em uma crítica a Feuerbach disse:

Filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diversas maneiras; mas o que importa é transformá-lo". Obviamente a filosofia, a política, a economia e a religião... Mas em relação ao ser chamado humano, nenhuma dessas obviedades são suficientes para fazê-lo melhor.

A solução além do pessimismo filosófico é manter a visão mais limitada, regionalizada do homem. Mais simplória e menos depressiva. Ainda que mais empobrecida do ser...


OZEAS CB RAMOS
www.facebook.com/rascunho1966


* https://pt.wikipedia.org/wiki/Teses_sobre_Feuerbach

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

ME ENSINA A TER ESSA ESPERANÇA?



ME ENSINA A TER ESSA ESPERANÇA?


E aquele velho cansado de dias e fatigado pelas dores que acumulavam em seu velho corpo, ia falando e eu, sem nada dizer, apenas ouvia atentamente...

- Ela hoje procurou saber sobre a minha saúde!
- Você está melhor? - Disse ela me perguntando.
- Com um sorriso de menino bobo, respondi: Vou ficar.
- E ainda me recomendou uma receita, que segundo ela, comendo banana verde cozida, ajudava na melhora!
- ...
- Aproveitei afinal to ficando velho e não besta... e disse:
- Ouvi dizer que um beijo da filha também melhora!!!
- Ela respondeu com uma risada sarcástica, própria dela.
- Eu emendei: dois beijos da filha (dengo) curam!
- Aí ela nem respondeu...

Eu acompanhava atento e ele continuou.

- Disse a ela: quando você era pequena eram os meus beijos que aliviavam a sua dor. Até pé sujo eu tive que beijar para passar a dor de uma topada. E assim joelho, canela, perna, cotovelo... Quando você chorava após um machucado corria e me pedia: - Beije papai, pra dor passar!
- E claro eu beijava no local do machucado... e você me dizia em voz de dengo (dengo de pai): - Passou pai! Passou...
- E corria pra continuar a brincar.

Nessa hora ele olhou para mim. E já não falava como quem olhava para o horizonte de suas lembranças. Elas haviam chegado até ele naquele instante. Todas juntas... e disse, completando:

- Não que tenha sido um bom pai. Sinceramente eu não fui. Errei mais que acertei. Sabe?...
- ...
- Mas tenho esperança que um daqueles beijos também curem hoje as dores que eu mesmo causei...

Abraçando-o pude apenas dizer:

- Me ensina a ter essa esperança?

Em silêncio seguimos cada um a sua vida-dor...


OZEAS CB RAMOS





segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

CINQUENTA TONS EM MEIO SÉCULO



CINQUENTA TONS EM MEIO SÉCULO


Ele chegou aos noventa e comentou sobre a idade na qual tomou consciência sobre a velhice: exatos quarenta e dois anos. Mas foi somente aos cinquenta que "ela" se materializou cruel - “Na quinta década havia começado a imaginar o que era a velhice quando notei os primeiros ocos da memória”.

Por “sorte” chego agora aos cinquenta sem esses “ocos”, mas com as dores. E penso que, como ele quis tirar certo “atraso” que esse (“atraso”) seja a “tal consciência” em constatação sinistra: o tempo já não parece o mesmo e, atrasos, pendências, lembranças começam a fazer companhia à medida que os anos como por encanto passam em revista à nossa frente.

Recordo-me de como contava o passar dos anos, em cada aniversário durante a infância. Trezentos e sessenta e cinco dias que duravam uma eternidade. Ficar mais velho, crescer, duraaavaa pra car@lhw. Com a adolescência um acelerador foi incrementado e esse contar do interregno de cada aniversário passou a ser mais acentuado. Porém, a gente via a maior idade como um alvo a ser alcançado e essa “angústia” parece que adiantava as horas, os dias, os meses. Até que chegava o dia de ficar mais velho. Ainda assim era um dia de alegria, pois o objetivo de ficar mais velho estava sendo conquistado...

Quando a maior idade chegou, tive a sensação de parar em frente a uma cachoeira, estando na parte de cima. Os anos corriam como a água pedra abaixo. Um acelerador atômico foi ligado sem meu aceno e aquiescência para que isso ocorresse. Foi phod@! Ano, ano, ano...  (como um pac-man) passando e atropelando a vida sem piedade. E foi nessa atomicidade que passei pelos quarenta e dois que o ancião de Memória de minhas putas tristes narrou com resignação diante das dores na coluna e ante um médico pouco envolvido com a sua constatação filosofal e dores reais.

Eu não chegarei aos noventa. Nem que haja um “milagre”. Embora dissesse que seria um “erro da natureza” se isso pudesse acontecer. Não saberia para que viver tantos anos. Isso em meu caso particular... pouco provável.

Questiono (direito meu p!) para que esses cinquenta anos (meio século)? Viveria melhor se houvesse emperrado o contador lá pelos vinte, vinte e dois anos, e o tic-tac silenciasse. Vinte e dois e após um ano os mesmos vintes e dois... e outro... outro... outro... mantendo os tais vinte e dois anos de idade. Assim, hoje, estaria completando meus novos vinte e dois anos de existência.

Divagação que você pode ficar livre para chamar de delírio! Que, entretanto é, nada mais nada menos, a angústia de uma existência que pegou o bonde errado após essa idade. Errou o caminho. Perdeu-se na história... ARS LONGA, VITA BREVIS. Talvez esse adiantado dos anos sirva apenas para sentir dores nas costas e outros males, afinal, MALIS MALA SUCCEDUNT.

Lembrei que há cinco anos, eu desejava poeticamente outros quarenta e cinco. Desejo vindo na verdade de uma percepção que precisaria da mesma quantidade de anos vividos para “corrigir” as c@gadas desses primeiros. Talvez para ser sábio precisasse mesmo chegar aos noventa...
*
Quando penso que posso melhorar, percebo que fico ainda mais intolerante. Sem paciência (coisa que nunca tive) até com a memória das minhas putas quase tristes. Embora artisticamente pintemos as coisas negativas com pinceladas que a idade permite. Intolerância vira com um pincel mágico – seletividade. E ainda tecemos desculpas: "temos mais tempo a perder"... Assim, o que era negativo transmuta-se em uma necessidade positivista. O que só reafirma a nossa essência.

Bom nisso tudo é que a vida não é nem tão cruel tampouco um conto de fadas. Ela apenas é. E passa sendo uma ou outra coisa. E tudo, absolutamente tudo chega ao fim. Antes, porém, das cores, dos sonhos, das músicas, livros, estórias, quero viver ainda uma sensação nova: andar de bicicleta. Quero aprender esse ano! E vou...

O nonagenário personagem comentou que na velhice se devam contar os eventos, o que ela chama de “medir a vida” agrupando-os de dez em dez anos. Assim farei rascunhando esse novo período, os fatos e as estórias, se por um descuido da soberana vida eu for deixado por aqui.

OZEAS CB RAMOS

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

E COMO EU GOSTO DESSA MISTURA






E como eu gosto dessa mistura. Café seja lá onde/como ele foi passado, conquanto tenha sido "na hora" e um bom livro...



Companhias nessa noite quase solitária!
Vai ficar faltando para um grand finale: um dedo de boa prosa e...




OZEAS CB RAMOS
www.rascunho1966.blogspot.com.br

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

IN CENA


IN CENA


Muitos atores
em um teatro vazio.
A Esperança é
Merda in cena.


OZEAS CB RAMOS

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

#POEMA



#poema


Que um poema te encontre
E te faça feliz!

Agora vá...
Pois pé que não anda não leva topadas. 


OZEAS CB RAMOS
www.rascunho1966.blogspot.com.br
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