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quarta-feira, 4 de maio de 2016

A Arte de Ler - Mario Quintana



A Arte de Ler - Mario Quintana


"O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria".


RASCUNHO1966
www.rascunho1966.blogspot.com.br


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quinta-feira, 7 de abril de 2016

MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS




MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS

Manuel Antônio de Almeida.

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OZEAS CB RAMOS
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quinta-feira, 31 de março de 2016

TRILOGIA DE MACHADO DE ASSIS

 MACHADO DE ASSIS

TRILOGIA DE MACHADO DE ASSIS

Vamos ler?



https://pt.wikipedia.org/wiki/Trilogia_Realista

"A crítica moderna chama de trilogia realista os três romances que marcaram um novo estilo na obra de Machado de Assis, a saber Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891) e Dom Casmurro (1899), e que decisivamente também inovaram a literatura brasileira, introduzindo o Realismo no Brasil e precedendo outros elementos da literatura contemporânea.

Embora seja chamada de "realista", os críticos não deixam de notar que a riqueza de gêneros e elementos nessas obras também adere resíduos do Romantismo e impressionistas. Além disso, nessas obras Machado de Assis não compactua com o esquematismo determinista dos realistas, nem procura causas muito explícitas ou claras para a explicação das suas personagens e situações. Para os críticos, os três livros asseguraram ao autor o acesso à posteridade, além de serem considerados por alguns como os melhores de toda a sua obra".

sexta-feira, 11 de março de 2016

SOBRE DOM CASMURRO




Se você leu DOM CASMURRO - MACHADO DE ASSIS, muito possivelmente ficou com essa dúvida cruel:

Ezequiel era filho de Bento, que foi apenas um doente ciumento ou de Escobar, o amigo traidor?
Qual a sua impressão sobre esse fato? 
Não é o que você pensa, o que você faria, e sim, o que você infere da narrativa do Bento no curso do romance...

Aguardo seu comentário...


OZEAS CB RAMOS

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

AS TRÊS LÁGRIMAS - ANTONIO CAMPOS NEGREIRO



AS TRÊS LÁGRIMAS - ANTONIO CAMPOS NEGREIRO



Se eu pudesse esquecê
aquela noite de são joão
era bem baum, mas quá
era a moça mais bonita
com seu vestido de chita
todo enfeitado de fita
que pisô na povoação

no vortiado sapatiado
foi que nóis se cunhecemo
nossos óios se encontraram
nossos óios se gostaram
e nóis também se gostemo
no gemê da viola
nessa dor que nos consola
eu fiz a declaração
e como quem pede esmola
os meus olho mendigava
um olha dos olho teu
e quando a esmola chegou
che meu deus
eu não sei o que senti
não sei memo pra que menti
eu não sei como foi aquilo
senti um nó nos gorgumilho
uma vontade de chorar
mais quá tudo cansa
os meus olho se orvalhô
e uma lágrima rolô
pra mode eu te esperança
e um ano mais se passô
quando foi no outro são joão
era a noiva mais bobita
com seu vestido de chita
tudo enfeitado de fita
nessa noite do sertão
quando saimo da igreja
tudo mundo tinha inveja da nossa felicidade
eu tava tão sastifeito,mais tão sastifeito
parecia que meu peito queria
se arrebentar
eu inté num sei expricá
quem diz,os meus olho se oevalho
e outra lágrima rolô
pro mode eu sê tão feliz
mais quando foi no outro são joão
quatro vela acesa lá na mesa
alumiava seu cachão
inda tava mais bonita
com seu vestido de chita
tudo enfeitado de fita
e um ramo de frô na mão
quando foi prela partí
eu não queria que ela fosse
anssim sem se adespedí de mim
garrei na cabeça dela
e como um loco beijei,
beijei sua face amarela
na hora que ela partiu
eu já nem sabia chorá
o resto das minha lágrima
eu dei pra ela levá
agora as veis de tardinha
eu garro de cisma,de cisma
e de repente sem querer
num sei purque
ma da vontade de chorá
mais qua quem a de
o meu pranto se secô
na dor dessa sodade


OZEAS CB RAMOS

sábado, 30 de janeiro de 2016

A FLOR DO MARACUJÁ - CATULO DA PAIXÃO CEARENSE



A FLOR DO MARACUJÁ




CATULO DA PAIXÃO CEARENSE




Encontrando-me com um sertanejo,
Perto de um pé de maracujá,
Eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo,
Porque razão nasce branca e roxa,
A flor do maracujá?

Ah, pois então eu lhi conto,
A estória que ouvi contá,
A razão pro que nasci branca i roxa,
A frô do maracujá.
Maracujá já foi branco,
Eu posso inté lhe ajurá,
Mais branco qui caridadi,
Mais brando do que o luá.

Quando a frô brotava nele,
Lá pros cunfim do sertão,
Maracujá parecia,
Um ninho de argodão.
Mais um dia, há muito tempo,
Num meis que inté num mi alembro,
Si foi maio, si foi junho,
Si foi janeiro ou dezembro.

Nosso sinhô Jesus Cristo,
Foi condenado a morrê,
Numa cruis crucificado,
Longe daqui como o quê,
Pregaro cristo a martelo,
E ao vê tamanha crueza,
A natureza inteirinha,
Pois-se a chorá di tristeza.

Chorava us campu,
As foia, as ribeira,
Sabiá tamém chorava,
Nos gaio a laranjera,
E havia junto da cruis,
Um pé de maracujá,
Carregadinho de frô,
Aos pé de nosso sinhô.

I o sangue de Jesus Cristo,
Sangui pisado de dô,
Nus pé du maracujá,
Tingia todas as frô,
Eis aqui seu moço,
A estória que eu vi contá,
A razão proque nasce branca i roxa,
A frô do maracujá


Rolando Boldrin declamando:
https://www.youtube.com/watch?v=q4MhzBL5zho



OZEAS CB RAMOS

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

CATULO DA PAIXÃO CEARENSE



O estado do Maranhão descortina-se à minha vista e vai muito além dos belos olhos verdes que encontrei. Uma descoberta feita a cada leitura! E que boa literaturara tem essa terra, cuja beleza (literária) caminha em paralelo aos Lençóis maranhenses (que ainda hei de conhecer).

Sempre fiz criticas contundentes ao aspecto físico das ruas/estradas, e da conservação geral das cidades que conheci. A primeira impressão não foi nada boa. 
Negativa portanto.

Os recantos famosos pareciam apenas atraentes nos cartões postais e isso era de causar espécie. Como um estado, que teve nos últimos trinta anos representantes políticos ocupando cargos na esfera nacional, podia estar assim tão abandonado?


Já vislumbro uma melhora desde o ano passado. Sei também que não se corrige anos de atraso em um mandato.




Como por encanto descubro na literatura o verdadeiro Maranhão. Terra bela, viva, diferente e capaz de atrair a atenção positiva de quem dele se aproxime. É possível ser mais que turista nessas terras...

Já citei Gonçalves Dias, Coelho Neto e Maria Firmino. Agora, mais uma grata surpresa:



CATULO DA PAIXÃO CEARENSE







Obra em Destaque:








“LUAR DO SERTÃO” (1914)


(Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco)

(“Obs.: a letra de “LUAR DO SERTÃO é muito extensa e quase nunca foi gravada integralmente. Letra completa e Original, extraída do livro “Minhas Serestas” de Loris R. Pereira, páginas 61/64.”)
()

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Oh! que saudade do luar da minha terra,
Lá na serra branquejando,
Folhas secas pelo chão,
Esse luar cá da cidade, tão escuro,
Não tem aquela saudade,
Do luar lá do sertão.

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Se a lua nasce por detrás, da verde mata,
Mais parece um sol de prata,
Prateando a solidão,
E a gente pega na viola que ponteia,
E a canção é a lua cheia,
A nos nascer no coração.

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Quando vermelha, no sertão desponta a lua,
Dentro d’alma, onde flutua,
Também rubra, nasce a dor,
E a lua sobe…
E o sangue muda em claridade!
E a nossa dor muda em saudade…
Branca, assim, da mesma cor!

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Ai!… Quem me dera, que eu morresse lá na serra,
Abraçado à minha terra e dormindo de uma vez!
Ser enterrado numa grota pequenina,
Onde à tarde a surunina,
Chora sua viuvez.

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Diz uma trova,
Que o sertão todo conhece,
Que se à noite o céu floresce,
Nos encanta e nos seduz,
É porque rouba dos sertões as flores belas,
Com que faz essas estrelas,
Lá do seu jardim de luz!

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Mas como é lindo ver depois,
Por entre o mato,
Deslizar, calmo o regato,
Transparente como um véu,
No leito azul das suas águas, murmurando,
Ir, por sua vez roubando,
As estrelas lá do céu!

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

A gente fria desta terra sem poesia,
Não se importa com esta lua,
Nem faz caso do luar,
Enquanto a onça, lá na verde capoeira,
Leva uma hora inteira,
Vendo a lua a meditar.

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Coisa mais bela neste mundo não existe,
Do que ouvir um galo triste,
No sertão, se faz luar,
Parece até que a alma da lua é que descanta,
Escondida na garganta,
Desse galo a soluçar!

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Se Deus me ouvisse, com amor e caridade,
Me faria esta vontade,
O ideal do coração!
Era que a morte,
A descantar, me surpreendesse, e eu morresse
Numa noite de luar, no meu sertão!

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

E quando a lua surge em noites estreladas,
Nessas noites enluaradas, em divina aparição
Deus faz cantar o coração da natureza,
Para ver toda a beleza do luar do Maranhão!

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Deus lá do céu, ouvindo um dia, essa harmonia,
A do meu sertão, do meu sertão primaveril,
Disse aos arcanjos que era o hino da poesia,
E também a Ave Maria, da grandeza do Brasil!

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Pois só nas noites do sertão de lua plena,
Quando a lua é uma açucena,
É uma flor primaveril,
É que o poeta, descantado a noite inteira…”


Outras referências:


1) http://www.gutiproducoes.com.br/luar-do-sertao-1914/

2) http://mesquita.blog.br/catulo-da-paixao-cearense-versos-na-tarde-07112014

3) https://pt.wikipedia.org/wiki/Catulo_da_Paix%C3%A3o_Cearense

4) https://pt.wikipedia.org/wiki/Luar_do_Sert%C3%A3o




OZEAS CB RAMOS

LENDO - CAPITÃES DA AREIA - Jorge Amado - 1937



LENDO - CAPITÃES DA AREIA - Jorge Amado - 1937


Desejava esse livro. Há alguns anos ele esteve na estante mas nada da leitura acontecer. Outro dia, com apenas R$ 30,00 (trinta reais) no bolso, ao visitar uma grande livraria eu não resisti... Lá foram R$ 25,00, e os R$ 5,00 resolveriam a compra de uma água mineral e uma passagem do buzão...
Agora, lendo e carregando uma impressão que, guardadas alguns apartes e verossimilhanças, o livro mais parece um relato atual.

"Ontem houve mais um assalto".

O jogo oficial das desculpas esfarrapadas das "autoridades", os crimes, a luta pela vida em "liberdade" e as dores que cada um moleque do grupo carrega na alma.

A linguagem é simples, não simplória. O que faz desse baiano escritor popular sem o rebuscado das formas. Ou ainda, que encontrou a sua forma de escrever e narrar os dramas do povo da terra.

Os modernos capitães agora vivem no asfalto, envolvidos numa cracolândia de qualquer cidade desse país dominado pelo vício e comércio das drogas, pela violência e pelo descaso das "autoridades". Não mudam as dores...

Aliás, as dores da vida não mudam nunca!


Duas resenhas:









OZEAS CB RAMOS
www.rascunho1966.blogspot.com.br

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

MARIA FIRMINA DOS REIS



Maria Firmina dos Reis 

Confissão


Embalde, te juro, quisera fugir-te, 
Negar-te os extremos de ardente paixão: 
Embalde, quisera dizer-te: - não sinto 
Prender-me à existência profunda afeição.
Embalde! é loucura. Se penso um momento, 
Se juro ofendida meus ferros quebrar: 
Rebelde meu peito, mais ama querer-te, 
Meu peito mais ama de amor delirar.

E as longas vigílias, - e os negros fantasmas, 
Que os sonhos povoam, se intento dormir, 
Se ameigam aos encantos, que tu me despertas, 
Se posso a teu lado venturas fruir.

E as dores no peito dormentes se acalmam. 
E eu julgo teu riso credor de um favor: 
E eu sinto minh'alma de novo exaltar-se, 
Rendida aos sublimes mistérios do amor.

Não digas, é crime - que amar-te não sei, 
Que fria te nego meus doces extremos... 
Eu amo adorar-te melhor do que a vida, 
melhor que a existência que tanto queremos.

Deixara eu de amar-te, quisera um momento, 
Que a vida eu deixara também de gozar! 
Delírio, ou loucura - sou cega em querer-te, 
Sou louca... perdida, só sei te adorar.

         
[ CANTOS À BEIRA MAR, São Luís do Maranhão, 1871, pags. 79-80 ]
http://www.jornaldepoesia.jor.br/mfirmina07.html



MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A ESCRITORA:

http://blog.jornalpequeno.com.br/dinacycorrea/2013/04/maria-firmina-dos-reis-poetisa-escritora-e-educadora-maranhense/


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VEJA TAMBÉM
OUTRA PRECIOSIDADE LITERÁRIA NACIONAL:

CAROLINA DE JESUS - Vida e obra literária.

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OZEAS CB RAMOS

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

LIVROS - RECOMENDO




3. LIVRO - O ÓCIO CRIATIVO

Domenico de Masi


Imagem da Net


2. LIVRO - ELOGIO DA LOUCURA

Erasmo de Roterdã
Escrito por volta de 1500 d.c

Imagem da Internet


1. LIVRO - ALEXANDRE E OUTROS HERÓIS

Graciliano Ramos


http://rascunho1966.blogspot.com.br/2015/12/livro-alexandre-e-outros-herois.html






segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

COLEÇÃO PARA GOSTAR DE LER - Crônicas, contos e poemas


Crônicas, contos e poemas


Muitos de nós aventureiros nesse universo da leitura iniciamos esse saudável hábito com a coleção PARA GOSTAR DE LER - Crônicas, contos e poemas. Uma série de livros chamados paradidáticos.



Essa coleção está bem explanada no seguinte endereço (citado com permissão/e-mail do autor Henrique Fendrich). Clique no link abaixo para saber mais...





OZEAS CB RAMOS

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www.facebook.com/rascunho1966

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

POEMA - O PIRATA - Gonçalves Dias

O PIRATA

(Episódio)

Gonçalves Dias - Primeiros Cantos

Nas asas breves do tempo
Um ano e outro passou,
E Lia sempre formosa
Novos amores tomou.

Novo amante mão de esposo,
De mimos cheia, lh′of′rece;
E bela, apesar de ingrata,
Do que a amou Lia se esquece.

Do que a amou que longe pára,
Do que a amou, que pensa nela,
Pensando encontrar firmeza
Em Lia, que era tão bela!

Nesse palácio deserto
Já luzes se vêm luzir,
Que vem nas sedas, nos vidros
Cambiantes refletir.

Os ecos alegres soam,
Soa ruidosa harmonia,
Soam vozes de ternura,
Sons de festa e d′alegria.

E qual ave que em silêncio
A face do mar desflora,
À noite bela fragata
Chega ao porto, amaina, ancora.

Cai da popa e fere as ondas
Inquieta, esguia falua,
Que resvala sobre as águas
Na esteira que traça a lua.

Já na vácua praia toca;
Um vulto em terra saltou,
Que na longa escadaria
Presago e torvo enfiou..

Malfadado! por que aportas
A este sítio fatal!
Queres o brilho aumentar
Das bodas do teu rival?

Não, que a vingança lhe range
Nos duros dentes cerrados,
Não, que a cabeça referve
Em maus projetos danados!

Não, que os seus olhos bem dizem
O que diz seu coração;
Terríveis, como um espelho,
Que retratasse um vulcão.

Não, que os lábios descorados
Vociferam seu rival;
Não, que a mão no peito aperta
Seu pontiagudo punhal.

Não, por Deus, que tais afrontas
Não as sói deixar impunes,
Quem tem ao lado um punhal,
Quem tem no peito ciúmes!

Subiu! — e viu com seus olhos
Ela a rir-se que dançava,
Folgando, infame! nos braços
Porque assim o assassinava.

E ele avançou mais avante,
E viu... o leito fatal!
E viu... e cheio de raiva
Cravou no meio o punhal.

E avançou... e à janela
Sozinha a viu suspirar,
— Saudosa e bela encarando
A imensidade do mar.

Como se vira um espectro,
De repente ela fugiu!
Tal foge a corça nos bosques
Se leve rumor sentiu.

Que foi? — Quem sabe dizê-lo?
Foram vislumbres de dor:
Coração, que tem remorsos,
Sente contínuo terror!

Ele à janela chegou-se,
Horrível nada encontrou...
Somente, ao longe, nas sombras,
Sua fragata avistou.

Então pensou que no mundo
Nada mais de seu contava!
Nada mais que essa fragata!
Nada mais de quanto amava!

Nada mais!... — que lh′importava
De no mundo só se achar?
Inda muito lhe ficava —
Água e céus e vento e mar.

Assim pensava, mas nisto
Descortina o seu rival,
Não visto; — a mão na cintura
Cingiu raivoso o punhal!

Mas pensou... — não, seja dela,
E tenha zelos como eu? —
Larga o punhal, e um retrato
Na destra mão estendeu.

Porém sentiu que inda tinha
Mais que branda compaixão;
Miserando! inda guardava
Seu amor no coração.

Infeliz! não foi culpada;
Foi culpa do fado meu!
Nada mais de pensar nela;
Finjamos que ela morreu.

Por entre a turba que alegre
No baile — a sorrir-se estava,
Mudo, triste, e pensativo
Surdamente se afastava.

De manhã — quando o sarau
Apagava o seu rumor,
Chegava Lia a janela,
Mais formosa de palor.

Chegou-se; — e além —.— no horizonte
Uma vela inda avistou;
E co′a mão trêmula e fria
O telescópio buscou!

Um pavilhão viu na popa,
Que tinha um globo pintado;
E no mastro da mezena
Um negro vulto encostado.

Eram chorosos seus olhos,
Os olhos seus enxugou;
E o telescópio de novo
Para essa vela apontou.

Quem era o vulto tão triste
Parece reconheceu;
Mas a vela no horizonte
Para sempre se perdeu.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

4 LIVRO - A CONQUISTA - Coelho Neto

Coelho Neto - Imagem da NET

Livro A conquista - 1899


COELHO NETO


Henrique Maximiano Coelho Neto (Caxias-MA, 21 de fevereiro de 1864 — Rio de Janeiro-RJ, 28 de novembro de 1934).


Destaque:

A CONQUISTA - trecho do livro.



"- E tenciona viver das letras? - perguntou assombrado. O estudante encolheu os ombros com resignação e o outro irrompeu: - Pois meu amigo, aceite os meus pêsames. E, inclinando-se, rugiu ao ouvido de Anselmo: - Cure-se! Não vá para um convento, vá para o hospício. Cure-se enquanto é tempo. Neste país viçoso a mania das letras é perigosa e fatal. Quem sabe sintaxe aqui é como quem tem lepra. Cure-se! Isto é um país de cretinos, de cretinos! Convença-se. 

É a Frígia do tempo de Midas: só vence quem tem orelhas. Olhe, se eu me debruçasse a um dos camarotes desta barraca e bradasse: "Que se conservem neste recinto os que sabem gramática", o teatro ficava vazio. Letras, só as de câmbio, convença-se. Olhe, temos aqui um exemplo. Estão conosco dois poetas e um carne seca, compare-os! Os poetas são lívidos, o carne seca, tressua ádipe e saúde. Por que? Porque o carne seca, que é aqui o nosso amigo Motta, tem todos os regalos: come como uma traça, bebe como um abismo, dorme como a Justiça e gasta como o diabo que o carregue! Ah! meu amigo, para temperar a vida, que é um prato difícil, não bastam os louros da glória. Olhe o nosso Motta: é o leão e nós? Somos os chacais".


Algumas obras:
Rapsódias, contos (1891)
Sertão (1896)
A Capital Federal (Impressões de um Sertanejo), romance (1893)

A descoberta da Índia, narrativa histórica (1898)
A Conquista, romance (1899)
Turbilhão, romance (1906)
Rei Negro, romance (1914)
Mano, Livro da Saudade, (1924)
Contos da vida e da morte, contos (1927)
A Cidade Maravilhosa, contos (1928).


Lista de obras do autor: CLIQUE AQUI.

Maiores informações sobre Coelho Neto - Wikipedia: Clique aqui.
Vejam aqui mais de 90 livros gratuitos de diversos autores - Clique Aqui.



UM EXEMPLO DO VOCABULÁRIO DO AUTOR - Trecho do livro
Tantas vezes combatido por esse uso..


"A rua do Ouvidor, sem movimento, tinha  o 
aspecto desolado de viela abandonada. As ruas do Rio de Janeiro, como as de Paris, segundo Balzac, têm qualidades e vícios humanos: há ruas estróinas e há ruas pacatas, ruas ativas e ruas negligentes, ruas devassas e ruas honestas, umas cujos nomes andam constantemente em notas policiais, outras que são citadas nas descrições elegantes.

A rua do Senhor dos Passos é imoral e imunda, a sua linguagem é torpe, o seu vestuário indecoroso, as suas maneiras insólitas, o seu cheiro nauseabundo, é uma rua que se enfeita com alecrim e arruda e embebeda-se com cachaça, tem hábitos vis de xadrez e de tasca. Por mais que se arreie vê-se-lhe sempre a imundície e a pústula; por mais que se esfregue sente-se-lhe sempre o fortum.

A rua Sete de Setembro é uma delambida rameira que estropia a língua do país e escandaliza a moral; o seu colo tem placas, os seus lábios mostram a devastação fagedênica, o seu hálito envenena. Tais ruas são como essas flores noctilucas que só desabotoam à noite e expandem o seu aroma; durante o dia caladas, entorpecidas modorram em flácido e derreado abandono, bocejando.

A rua da Conceição é desconfiada, como que tem sempre o olhar à espreita, a navalha à mão, o pé ligeiro pronto para saltar e fugir. Não fala — murmura, cochicha, em gíria arrevesada. E maltrapilha e zambra, arrasta andrajos e oscila.

A praia de Santo Cristo tem o aspecto sadio de uma varina, criada livremente, à fresca e salitrada aragem marinha, diante da vaga, sempre a coser os panos das velas, abrindo-as ao vento ou compondo as malhas das redes que um repelão mais forte do peixe, no mar fundo, rompera em noite farta. A sua linguagem é rude como o fragor da onda na rocha, o seu olhar é límpido e seguro como o do mareante; tresanda à maresia. A sua força é a do vagalhão. Calma, tem o encanto da água serena em noites de luar, mas quando se insurge alvoroçada, quando se põe de pé, brandindo facas agudas e croques, remos e velhas bancadas de canoas roídas pela onda, esquecidas junto às dunas, apodrecendo ao tempo, tem a fúria irreprimível do mar tempestuoso.

A rua Haddock Lobo, com o seu ar repousado e feliz de velha senhora abastada, que dormita à sombra de árvores, entre crianças gazis e flores recendentes, digerindo, em sossego beato, sem cuidados, sem achaques, é calma e transmite ao espírito suavíssima ideia de descanso espiritual e de corpo, no imperturbável silêncio das suas aléias no frescor das suas finas águas correntes.

A rua do Ouvidor é trêfega. Durante o dia toda ela é vida e atividade, faceirice e garbo; é hilare e gárrula; aqui, picante; além ponderosa; sussurra um galanteio e logo emite uma opinião sisuda, discute os figurinos e comenta os atos políticos, analisa o soneto do dia e disseca o último volume filosófico. Sabe tudo — é repórter, é  lanceuse,  é corretora, é crítica, é revolucionária. Espalha a notícia, impõe o gosto, eleva o câmbio, consagra o poeta, depõe os governos, decide as questões à palavra ou a murro, à tapona ou a tiro e, à noite, fatigada e sonolenta, quando as outras mais se agitam, adormece. Ouve-se apenas o rumor constante dos prelos nas oficinas dos jornais. É a rua que digere a sua formidável alimentação diária para, no dia seguinte, pela manhã, espalhar pelo país inteiro a substância que compõe a nutrição do grande corpo, cada parte para o seu destino. Para o cérebro: as idéias que são os incidentes políticos e literários e as descobertas científicas, essas ficam com a casta dos intelectuais; o sentimento para o coração, que é a mulher; essa tem o romance e a esmola, o lance dramático e a obra de misericórdia; o movimento dos portos e das gares para o ventre e para os braços do povo que devora e do comércio que abastece e o resíduo que rola, parte para os cemitérios, parte para os presídios mortos e condenados. Outros que analisem a carta completa da cidade, eu fico nesta exposição".


OUTROS LIVROS:

1 LIVRO
OZEAS CB RAMOS
www.rascunho1966.blogspot.com.br
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

QUEM ME COMPREENDE por Rolando Boldrin




QUEM ME COMPREENDE

Ary Barroso

Canta: Rolando Boldrin (9:50)


Vem ouvir minhas queixas, coração!
Quero te acordar com esta canção,
Ai, meu Deus do Céu!
Não posso mais
Conter meus ais!
E sem ter no mundo mais ninguém
Não suportarei o seu desdém,
És a minha vida
A própria luz
Dos meus olhos, oh! Querida!
Felicidade...
Tenho saudade
Dos tempos que não voltam mais
Não voltam mais!
Tu me deixaste só
E nem tiveste dó.
Mas mesmo assim
Eu sei que tu gostas de mim.
Felicidade...
Tenho saudade
Dos tempos que não voltam mais
Não voltam mais!
Quem me compreende bem
Meu coração
Como ninguém
É este violão
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