sábado, 14 de maio de 2016

AS LENDAS, OS MEDOS E CERTAS LEMBRANÇAS DA INFÂNCIA




AS LENDAS, OS MEDOS E CERTAS LEMBRANÇAS DA INFÂNCIA


"Boi, boi, boi. Boi da cara preta. Pegue essa criança que tem medo de careta...". Eles, adultos, diziam que "isso" era música de ninar! Cantiga de ninar! E foi com essas e outras pérolas do cancioneiro infantil que muitos de nós adormeceu, cresceu e hoje conta estórias do passado.

Além das cantigas haviam as lendas, urbanas e/ou rurais. Para a maioria dessas lendas a função principal era educar a criança (ainda que pelo medo) para obedecer cegamente aos pais. Um objetivo quase nobre utilizando um método nada nobre.


Umas dessas lendas mais usadas no passado, ainda que passado recente, era o Bicho-Papão. Ilustre tenebroso morador dos telhados (as casas eram de telhados...) haveria de punir e pegar as crianças desobedientes e teimosas.

"Bicho papão
De cima do telhado
Deixa o meu menino Miguel
Dormir sossegado.

Vai-te papão
Vai-te embora do telhado
Deixa o meu menino
Dormir sossegado".

Em muitos, a paralisia causada era total. Em contrapartida, os pais ou cuidadores tornavam-se os protetores capazes de livrar o pequeno assustado e envolto em quase pânico, do iminente perigo de ser tragado pelo horroroso monstro de olhos vermelhos.

Há ainda as lendas que chamamos de urbanas. Ainda hoje ouço esses casos recorrentes. Uma proeminente lenda urbana é pessoas em um carro preto pegando crianças. Como muita gente desaparece nesse país, em um absurdo sem medida, e as autoridades investigam como sendo ocorrências isoladas mesmo com o crescente número de desaparecidos, a lenda se mantém atual. Crianças são desencorajadas de saírem sozinhas e o "carro preto que pega crianças" segue viva no imaginário urbano.

Esse meio de amedrontar já era comum na minha infância. Menos comum com um carro preto, eram os ambulantes que vendiam suas guloseimas pelas ruas os responsáveis por levar as crianças. Ganhava-se a obediência para não ficarmos na rua, tão comum no passado, e de quebra se evitava que o rebento pedisse dinheiro para comprar o objeto de desejo.



 

   


Vendedores de algodão doce, pirulito, taboca, licuri, quebra-queixo, eram frequentes caminhantes pelas tardes. Atraíam toda criançada que vendo aquelas deliciosas guloseimas entravam em transe! Muitas vezes a saída era associá-los a pegadores de crianças: "Cuidado que ele te pega e leva"... Como não estava na ordem do dia desaparecer, o desejo arrefecia e a paz voltava a reinar no lar, doce lar.

Bem provável que esses nobres trabalhadores, ambulantes do desejo de sustento de si e de suas famílias, nem soubessem a fama pejorativa que lhes era atribuída...

São lembranças... de um tempo que não volta mais! O tempo, esse inexorável senhor tirano, que também amedronta... Mas essa estória fica para outra hora!

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