segunda-feira, 11 de abril de 2016

SERÁ QUE AQUELA PRAGA PRAGUEJOU



SERÁ QUE AQUELA PRAGA PRAGUEJOU?
Um caso verídico de um candidato a pular cerca!

Eu tenho um amigo, desses amigos mesmo com A maiúsculo. Que não falham em nenhuma hora que se precise dele. Seja quem for o necessitado ou qualquer que seja o favor, lá vai ele ajudar.

Esse caboclo era (à época) casado com uma criatura muito ciumenta. Pense numa cidadã danada de ciumenta?!? Era essa...

O caboclo não dava um passo fora da estrada (perto da casa deles não havia estrada de ferro, logo não precisava andar na linha) que a muié danava falação e até ameaçava. "Corto esse trem fora e jogo pras tuas galinhas!... - Dizia ela em tom premonitório de terrorista homicida. E galinha aqui é no sentido literal. Falava das penosas que o caboclo criava nos fundos da casa, no espaçoso quintal devidamente cercado.

A turma da prosa, do dominó e da cachaça vivia mangando dele. Que por viver nesse apuro entre o ciúme da mulher e as pilhérias dos amigos quase não saia para o famoso dominó na esquina. Honrosamente chamada de petrosquina.

Pouco saía e quando acontecia dele se achegar procurando dupla para jogar umas partidas de dominó era logo cercado de gozações: "Ihhh hoje a muié tá naqueles dias e deixou ele sair". Outro emendava: "Nada. Ele hoje já adiantou o serviço da casa e ela deu permissão para vir jogar". E tantas outras coisas diziam que não são publicáveis agora. Pulo essa parte do causo verdadeiro. Garanto a veracidade, vocês vão ver.

Ele, coitado, se limitava dizer: - Porr@ nenhuma! Rebanhe de corno viRados!

Nada disso tirava a atenção do jogo, pois não havia quem quisesse perder uma partida. Melhor esquecer o “vigiado” e prestar atenção na mesa e nas pedras.

Certa vez, o coitado chegou com uma cara de felicidade sem precedentes. Nem houve chance da gozação costumeira dada ao êxtase que ele exibia na face. Estranhezas à parte, ele se chegou, e confidenciou. A alegria estampada era que a mulher iria visitar a família no interior e ele estaria livre por uns dez dias. Livre do ciúme da mulher esperava ter a chance de dar uns pulos da cerca imaginária que vivia. Cerca elétrica digamos assim.

A minha curiosidade saltou em forma de pergunta:
- E como tu vai fazer para virar bode solto?
- Pera que já vai saber... Tá rebocado piripicado que essa semana eu saio com uma criatura. Vou tirar meu atraso!
Pegou o celular e mostrou uma enorme lista de contatos. O aparelho era ainda dos mais simplórios, modelo antigo e hoje ultrapassado posto não haver ainda as famosas redes sociais. Celular era para falar (ligar/receber) e mandar SMS.

Fora os nomes femininos que eram das famílias do casal e suas amizades em comum, só tinha nome de homem. Não aparecia umazinha criatura.
- Oxente! Mas aí só tem homem! Vai ligar pra quem?
- Calma! Aqui é que está o golpe. Mario na verdade é Maria, uma amiga lá do trabalho. João aqui é Joana. Sandro é Sandra uma morena... (suprimi também essas descrições pormenorizadas na conversa). Cada uma com seus atributos naturais. A lista corria quase o alfabeto.

Dadas todas as explicações de nome e das qualidades de cada futura candidata a “colaborar” com o nobre, ele se pôs a ligar. Contato a contato.

André, que na verdade era Andréia, atendeu e pareciam mesmo amigos e até próximos. Cabe dizer que as ligações eram feitas com o viva voz. Assim eu acompanhava a odisseia do aspirante a garanhão.

Alcione era Alcione mesmo! Essa não atendeu apesar da insistência e de duas ligações consecutivas.

Carlos era Carla. Essa estava doente, trocaram umas palavras e nada.

Alguns desses nomes citados estavam acompanhados de uma descrição de função. Como se verá adiante.

Candida Gerente era Candida. “O número discado não existe”.
Bruno a Bruna. Só Bruna...

Daniel Daniela. Que após um início de conversa caloroso disse que agora estava casada e se dizia fiel. Não aceitou o convite para saírem e nem deixaria isso para outra hora. Mais um despacho!

Elmo Mecânico era Elma. Atendeu toda educada e nem deixou o cidadão se espalhar. Pediu desculpas pois estava ocupada e não poderia falar naquela hora...

Flávio era Flavia. Dona Flávia! Reclamou do sumiço do amigo, e coisa e tal, e tal e coisa, mas... Mas ela voltou com o ex, estava de volta ao casamento de anos e não queria procurar “encrenca”. Despediu-se pedindo inclusive para ele não retornar a ligação...

Por esse tempo, toda aquela alegria e entusiasmo já dava lugar a um semblante de apreensão e angústia. O tiro estava saindo pela culatra! A lista era percorrida de frente para trás na busca apreensiva por aquela, aquela que nunca falhava. A conversa dele já não fazia qualquer sentido. Era a lembrança de uma saída com uma, de um barzinho com outra, uma intimidade no carro com essa, e isso e aquilo... E a lista subia e descia com os dedos apertando as pequenas teclas do famigerado celular.

- Isso! Michele, que na lista era Michel Motorista. – Parece ter lembrado dessa cujo nome já havia aparecido várias vezes no desenrolar da lista de contatos.

Uma jovem com os melhores atributos já descritos por um narrador contista novelista romancista! Número discado tocou poucas vezes e ela atendeu. Efusiva, falava e ria, e a conversa caminhava a passos largos para o golpe final em um convite para repetirem outros encontros... Com o polegar dava sinal de que aquela jovem era garantia do sucesso na empreitada de fuga matrimonial que tanto esperava. Nem mesmo a menção do nome do noivo da jovem diminuiu a intimidade dos dois.

Conversa rolava solta e ele mandou, não sem antes dar uma boa respirada que buscou mais ar, um ataque final:
- Vamos sair amanhã? A gente pega um cineminha e depois estica... Eu te pego na saída de teu trabalho...

Uma eternidade arrebatada por um silêncio quase fúnebre. Quase interrompi o silêncio da conversa pedindo que a alma desse uma resposta que encerrasse aquele cerca-cerca.
- Ah! Não vai dar...
- Mas porque não?
- Essa semana estou atrapalhada, atarefada até não poder mais. É que meu casamento é daqui a quase duas semanas, e os preparativos não me deixam com tempo... Blá blá blá...

O caboclo quase desapareceu e nem o fim da conversa eu pude acompanhar de tanto que ria.

O fim dessa narrativa foi que ele, por vários dias tentou quase a todo custo encontrar um contato que pudesse e quisesse sair e não encontrou.

Aparecia, já que estava livre e desimpedido, e só o que falava era:
- Nada. To no zero a zero e só na justiça com as próprias mãos!
Claro que eu não contei nada disso para os demais amigos, afinal era uma questão mais particular do sujeito e não caberia uma propaganda e exploração midiática do fato.

Na última vez que rimos desse acontecido ele mandou essa:
- Deve ter sido praga daquela praga!

Os dias correram. A santíssima retornou com o filho do interior... e o nobre retornou à sua vidinha de sempre.

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OZEAS CB RAMOS
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