domingo, 24 de janeiro de 2016

ELE - GRACILIANO, EU - RAMOS, A CACHORRA BALEIA E ALGUMAS LEMBRANÇAS




ELE - GRACILIANO, EU - RAMOS, A CACHORRA BALEIA E ALGUMAS LEMBRANÇAS



Desejava iniciar a leitura de Vidas Secas. À frente outras prioritárias leituras me impediam. Uma inconveniente necessidade urgente de aliviar a bexiga me deu a oportunidade; isso às duas e meia da manhã.

Ler definitivamente não me faz bem! Começando pelo fato de algumas coincidências históricas: ele, Graciliano, morou em Palmeira dos Índios, uma cidade alagoana que conheci por tantas andanças que fiz trabalhando mundo a fora (um mundo pequeno diga-se). Um baita reforço nas memórias deixadas de lado pelo passar dos anos e trazidas à baia. Primeiro divagar...

Marquei a segunda menção à cachorra Baleia nem bem começara a terceira página. Despropósito de nome para um animal em pleno sertão! Segundo divagar...

Baleia trouxe à lembrança alguns dos animais com quem convivi. Logo eu que torço o nariz e faço bico para bicho. Gosto mesmo de criar é o que se possa matar pra comer. Para saciar fome. Não bicho para dar trabalho, mais trabalho e mais trabalho. Ou seja: não gosto de bicho.

Um desses, o primeiro que me lembre, foi Bala. Cachorro pequenez (a raça) de focinho pequeno. Na época se dizia: raça original! Orgulho de pobre besta. Trem raivoso que vivia escorraçando a gente da própria casa. Certo dia rasguei um jornal batendo nele em um de seus muitos ataques... Não foi agressão. Foi defesa contra o infeliz que latia e avançava contra mim que já acuado e sentado na parte de cima do sofá não dispunha de alternativa. Esse teve fim velho e doente, e mesmo nesse final ainda me trouxe uma “doce confusão” com a “rainha das verdades incontestes”... Foi-se tarde!

Depois surgiu, como aparição de alma mal assombrada, outro “trem” que chegou “chegando”. Pequeno, branco e valente. Como não se conseguia por um nome e dado sua característica mais marcante, terminou na alcunha de Malandro. O troço percorria a vizinhança e era avistado passeando cada vez mais distante. Mais um ser de repugnante natureza. Praguejava contra Malandro. Dizia que ele iria morrer de morte inusitada: atropelado por um submarino! Porém Malandro seguia mais firme e mais malandro. Até que demos conta do sumiço do Malandro. Andou tanto que não voltou mais. Sumiu!

Tempos depois... Ponha mais um tempo nisso e seguindo um pedido de meu primeiro filho comprei e trouxemos para casa a cadela Radija que era da raça fila brasileiro. Tigresa enorme cuja intolerância raivosa com estranhos rivalizava com a minha (intolerância). Por essa sua fama, sempre desejei colocar à porta uma placa assim: a foto dela e o aviso – cuidado com o dono! Radija morreu velha e virgem.

E chega de lembranças seu Graciliano! Terceira página de seu livro, badalou agora três e meia da manhã e quero (preciso) voltar a dormir antes que seja assaltado pelo terceiro divagar...



OZEAS CB RAMOS
www.rascunho1966.blogspot.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário


SUA OPINIÃO É MUITO IMPORTANTE.
COMENTE - DEIXE SUA CRÍTICA, ELOGIO OU SUGESTÃO.
Aproveite e veja também outras postagens desse BLOG.
Obrigado.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...