segunda-feira, 13 de julho de 2015

VOCÊ ME DÁ UM PRESENTE?



Dias Dávila - Bahia - 13/07/2015

Pouco depois das 13 horas chegávamos à residência para executar mais uma ordem de serviço. O colega dirigiu-se para realizar a parte externa enquanto eu fui cuidar da interna. Cumpridas as formalidades por conta do acesso dei de cara com uma garotinha sentada logo na entrada. Cabelos arrumados em longas tranças bem enfeitadas. Uma linda menina com um olhar fechado. Logo procurei graça para ver se conseguia um sorriso daquele semblante sisudo. Nenhuma das táticas deu resultado. Como não conseguia nada com ela tratei de adiantar meu trabalho.

Quis saber o nome e nada de resposta. Perguntei se ela tinha língua não a abalou. Disse que ela era a mais linda da casa não fez nenhum efeito. Ela sentada estava, séria, e assim permanecia me olhando sem nenhum sinal de querer se abrir.

Foi um instante, numa fração de segundo que ela por conta própria resolveu se permitir. Desceu da cadeira e se pôs a falar sem parar. Eu não entendia nada do que escutava até que nossa sincronia começou a fazer efeito. Havia agora comunicação eficaz!

Ela se chamava Roni. Foi assim que ela se apresentou. O que eu retruquei com um acréscimo: Roni Princesa. Ela, como toda mulher que sabe o que diz, pensa e quer, consertou: - Roni. Meu nome é Roni. Princesa é cachorro!

Demorei entender o que ela dizia. Princesa era a cadela da casa. Logo ela não poderia ser, como eu dissera, Roni Princesa. Vida dura essa de véi besta!

Embora isso representasse um progresso em nosso diálogo estávamos longe de nos entendermos. Continuamos nossa odisseia e descobri que ela tem três anos. Como insistia mudando detalhes de como iria chamá-la enquanto provocava sua atenção: Roni Nariz de Meleca do reino da salamandra cor de rosa! Ela seguia falando e eu entendendo apenas pequenas partes.

Um momento desse ela me diz: Você me dá um presente? Essa parte eu entendi perfeitamente e tratei de desconversar... Sem grana como ando me comprometer com a minha “princesa Roni” seria uma dor de cabeça. Porém mudar de assunto não resolveu o nosso dilema. E ela tratou de deixar as coisas mais claras. Se a minha gaiatice ou a minha barba grisalha lembravam Papai Noel, talvez, o certo foi que ela se sentiu confortável para especificar seu pedido: - Você me dá uma Pepa?

Havia gasto tanto tempo para atrair a atenção da mocinha e agora não sabia o que dizer ou fazer. Os passos seguintes no trabalho ainda sendo executado, agora trazia uma perturbação à mente: Como eu saio dessa encrenca que me meti?

- Roni Nariz de Meleca do reino da salamandra cor de rosa, eu não tenho uma Pepa... – Nossa conversa seguiu sem que ninguém na casa causasse qualquer interferência. Ela, pelo visto, entendeu a minha resposta negativa.

Concluímos o serviço solicitado, me despedi de todos e em especial minha nova amiga Roni. Pelos próximos dias haverei de ficar com esse pedido na cabeça... Tomara que consiga ao menos dormir!!!


OZEAS CB RAMOS

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