quinta-feira, 11 de junho de 2015

TEMPORANEIDADE, ETERNIDADE, PERDAS E LUTO.


(não leia sem antes bater na madeira, fazer uma prece...)

Perder alguém (algo/alguém) causa uma sensação de desagrado em nós. Perder é menos enquanto ganhar, nascer, surgir, é mais; afinal não somos orientais...

Na perda introspectamos a temporaneidade intrinca do Ser. Porque queremos mesmo é sermos eternos. Se há uma crença em mim, essa é a base da minha doutrinação e fé: o homem tem em si a necessidade da eternidade. Não por ser eterno, mas pelo medo incomensurável da morte. Morte enquanto fenômeno ininteligível, que atinge os nossos medos e impõe uma incógnita sem fim...

Somos impregnados de temporaneidade. O relógio do tempo, com seu desgraçado tica-tac, produz no homem uma loucura sem medida. E o que decorre disso são as crenças que amainam as inquietações do ser. Os mitos sempre presentes e as religiões. Nós precisamos “sentir” que seremos eternos. Esse sentir, dito transcendente, transforma a transitoriedade e a temporalidade em algo maravilhoso e mágico: a eternidade. E assim, como em uma equação, resolve esse dilema humano; ao menos em parte.
Quem não gostaria de ser eterno? Quem “flerta” com a eternidade tira de si o peso da transitoriedade. Permite tirar o foco da morte e consumir tempo e energia em outras atividades mais prazerosas e que colorem a vida, refrescam a existência... Não dá para competir. Finitude X infinitude. Transitório X eterno. Será sempre goleada em todas as eras ainda no porvir.

Mas o fato mesmo é que somos por um fio. Estamos por um fio. Existimos por um fio. O que passa disso são desejos da “alma”. Enquanto o sensível, o mundo sensível (Platão), físico, real, da ciência, nos impregna com a sua temporaneidade, sendo apenas o que dispomos enquanto seres cosmológicos, afetados pelo senhor TEMPO, não temos escapatória. E esse fato não é trágico, pois coloca o homem em meio ao fluxo natural e conhecido (razão) da existência. Somos finitos.

Toda vez que alguém/algo se perde no vazio da existência terrena ligamos nossa atenção com a crise que a perda produz. O luto dura alguns dias em nosso pensamento enquanto afeta as nossas ações. Muda toda a percepção da vida apontando para as vivências passadas com o objeto/pessoa que desapareceu e aponta para o amanhã. Na verdade para o nosso amanhã e o pessoal deixar-de-vir-a-ser.

Poucos falam da morte pessoal. “Batem na madeira”!!! A morte é a mais cruel das experiências. E como digo: natural. Assim como é natural a pedra, a unha, o embranquecer e ou cair dos cabelos, nascer, etc...

A chave para aceitar a infinitude é entender a existência como finita. O universo como finito. O antídoto para não aceitar é conhecido há milênios: aceitar/sentir o(s) amiguinho(s) invisíveis... Fato que não altera a correnteza da vida. Haveremos de experimentar a morte.

E eu desejo, do fundo do meu coração, que você experimente uma boa morte!
Pense nisso...

OZEAS CB RAMOS

Nenhum comentário:

Postar um comentário


SUA OPINIÃO É MUITO IMPORTANTE.
COMENTE - DEIXE SUA CRÍTICA, ELOGIO OU SUGESTÃO.
Aproveite e veja também outras postagens desse BLOG.
Obrigado.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...