terça-feira, 16 de junho de 2015

TEIMOSIA DA VIDA EM RECRIAR A VIDA


Para quem gosta como eu da vida na roça, no interior, que vai ao curral e acha aquilo tudo maravilhoso, ver os animais, ver a lida diária com referência aos animais, saberá que a imagem que descreverei a seguir não é lá um problema. Para mim o cheiro da terra e mesmo do esterco não tem nada de constrangedor.

Para chegar ao trabalho eu caminho uns quinze minutos. Hoje mudei o trajeto para conhecer a região. Em Camaçari o jeitão de cidade do interior surge quando alguns animais ficam soltos. A industrialização não afastou o campo. A gente vê carroças e até cavalos e bois pelas ruas. Claro que não é no centro da cidade...

De modo geral, Camaçari está aquém do que se poderia esperar de uma cidade com um polo industrial. Asfalto danificado, ruas sujas, praças semidestruídas, no geral uma nota quatro para a aparência geral da parte que já conheci.

Mas o que me chamou atenção foi algo grotesco, pelo menos para a maioria. Após mais uma chuva torrencial, em um trecho muito enlameado (muita lama mesmo) surgiu uma imagem inusitada (leia grotesca). Na lama havia uma porção razoável de “capim processado por enzimas intestinais” de um ruminante quadrúpede. Descrição literal para bosta de boi. Na lama o esterco, e no esterco nascia uma planta, que me pareceu pelas folhas, ser uma muda de melancia.

Ando mesmo vendo coisas...

A vida recriando-se a partir da merda e merda na lama. De onde menos se espera a vida renasce. E não importam as circunstâncias nem o meio. A vida é possível! E ela renasce; ela brota. Se outro animal não passar por ali, animal homem ou quadrúpede, a chance da planta crescer será grande. O que antes era lama, terra molhada, esterco, cenário grotesco, se transformará.

Dias difíceis, com acontecimentos nada normais. Uma sucessão nada pitoresca de eventos estranhos. E me perguntaram por que conto as histórias rindo, vendo graça em situações complicadas. Sem ter a quem culpar além de mim mesmo por tantos erros e escolhas equivocadas no passado, termino por compreender que foram coisas naturais que sucedem a qualquer vivente nesse planeta. Nada havendo para somatizar ou se vitimar.

E concluo: Em uma semana de lama e esterco eu vi a melancia. Mesmo com a teimosia da vida que em circunstâncias tão adversas insiste em recriar-se! Quem saberá do amanhã? Vai ver ainda serei como a melancia...


OZEAS CB RAMOS
www.facebook.com/rascunho1966

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