sábado, 13 de junho de 2015

CONTEMPLAÇÃO - Como exercício criativo




Uma palavra na moda é CONECTAR. E um dos contextos em que ela é usada diz respeito ao ato de buscar uma sintonia com o cosmos, a natureza, aos seres vivos em geral, etc. E claro, sugerem mil maneiras para esse fim, assim como dizem existir mil maneiras de preparar certo cereal.

Hoje eu cheguei mais cedo em Camaçari (BA) que o costume e havia uma folga de vinte minutos antes que a turma do trabalho chegasse. Como passo na praça que chamam de Centro Administrativo e nela há abundante natureza, sombra e alguns bancos, resolvi usufruir desse cenário. Pensei inicialmente em ler, mas a insegurança que se vive não me permitiu essa abstração.

Lembrei-me de alguns conceitos lidos no livro Ócio Criativo e passei a observar as coisas em redor contemplando (detalhadamente) o que acontecia na praça. O sol ainda tímido surgindo por entre as árvores, mas sem muita pressa em clarear e esquentar o dia. Os saguins pulando dos coqueiros para outras árvores a uma altura e distância improvável. Muitos pássaros zoavam com seus cantos peculiares. Outros voavam de um canto para outro sem muitos mistérios para contar.

As árvores são um capítulo à parte. Das frutíferas às que desconheço os nomes embora já tenha visto anteriormente algumas delas tão comuns nas praças de todo o país.

As pessoas indo e vindo cada uma com seu ritmo frenético. Do rapaz que corre a toda pressa e não abandona seu celular e segue dividindo a atenção entre digitar e caminhar. Passou a moça bonita ainda arrumando seu 3x4. Uma avó que carregava uma criança para tomar o banho de sol matinal. Da senhora que escolhe um caminho pouco usual por entre as árvores e valas da água da chuva e arrisca-se sem necessidade. Um senhor que atravessa a praça e parece assustado com pouca gente; talvez inseguro seguisse...

O ambiente combina uma beleza singular com uma dose de descuido por parte da administração municipal, que não valoriza um ambiente que deveria ser um de seus cartões postais.

A contemplação como tive a sorte de vivenciar traz consigo um espelho. Talvez a minha conexão tenha se dado nesse sentido. É olhar em derredor e se ver como parte integrante desse mistério chamado vida. É poder pensar em si mesmo, e permitir que o ambiente reflita suas inquietações mais íntimas. Foi como estar sentado em um divã sendo atendido pela analista que era a natureza, a própria vida em si.

Em frente ao banco que sentei há essa bela e grandiosa árvore. Fiquei admirando a sua imponência que revela a sua beleza. Na amplitude de seu tronco à copa de seus galhos e folhas encontra-se a sua beleza. Perguntei a mim mesmo: - Por quanto tempo essa madona reside nesse endereço? Quantos anos ela teria?

Com essas e outras divagações viajei em minha contemplação. O tempo passou e pude seguir para mais um dia de labuta. Os benefícios desse tempo consumido diante da beleza geral da praça haverei de usufruir ainda por muitos dias. A praça deixou de ser apenas uma praça em meu caminho!

Ela agora fala comigo...


OZEAS CB RAMOS
www.facebook.com/rascunho1966

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