sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

E FOI ASSIM SEU FLORIANO?

Pinheiro - Maranhão

E FOI ASSIM SEU FLORIANO?



Esperava por mais de quatro horas quando finalmente estacionou na plataforma A. Isso para uma viagem prevista de vinte e seis horas era um baita atraso. Os responsáveis pela viação limitavam a dizer que “estava em transito”... Chegou e isso era o que importava aquele momento. Tratei de mostrar a passagem para a conferência e solicitar que uma sacola fosse colocada na mala. Houve tempo para uma selfie, vicio moderno da tecnologia embarcada, e seguida tratei de buscar a poltrona de número dois. Um olhar mais abrangente para o interior do ônibus que viera do Rio de Janeiro e logo descobri que a poltrona estava ocupada estando a imediatamente ao lado, a três, vazia. Entendi que havia sido deixada para mim.

Saudei a quem estivesse interessado em uma boa tarde, e antes de buscar assento cumprimentei estendendo a mão ao meu companheiro de viagem. Pedi-lhe licença, posicionei minha mochila arrumada como um nécessaire e finalmente encontrei-me devidamente acomodado.

Não foi necessária a partida do ônibus para que eu e meu vizinho iniciássemos nossa demorada e prazerosa viagem. Esse detalhe explica porque a mudança de lugar de uma senhora para a poltrona que a principio seria a minha...

Apresentou-se. Floriano era seu nome. Com seus setenta e oito anos gabava-se de poder viajar sozinho contando inclusive com a conformação das filhas e filhos por ainda estar “firme”, sem “essas besteiras de perder o sentido”. Logo enveredamos por esse assunto: filhos. Contava trinta e dois sendo doze da esposa com quem havia sido casado por quarentas anos. Agora viúvo. Os demais foram nascendo aqui e ali. Dizia-se fogoso e como viajante em tropas de cavaleiros que levavam e traziam gado e posteriormente como trabalhador de uma petrolífera não lhe faltavam oportunidades. “tenho filhos no mundo todo”, embora esse mundo estivesse circunscrito ao território nacional. Mas era o seu mundo!

Outra santa proeza que ele alardeava sem vergonha era o fato de nunca ter usado nenhum comprimido. “Fiz de tudo e aproveitei tudo e quando parei, parei de uma vez”. Hoje ele não quer saber nem da companhia. Diz que se for idosa “é a coisa mais horrível dois idosos juntos” e se for novinha que “serve apenas para engordar e outro comer”.

E como esse senhor tem estórias e histórias para contar. Falou de suas andanças pelo país. De seus casos amorosos e como a esposa “teve” que aceitar esse seu modo de vida. Dos pais, da vida na fazenda, dos bois, do engenho... Ele mantém um sitio e estava retornando para verificar em que estado se encontrava. Pretende passar uns dois a três meses antes de retomar as suas andanças de casa em casa dos muitos filhos, netos e bisnetos espalhados pelo Brasil.De tantas conversas e causos seu Floriano perdeu a parada ainda antes da capital. Teve que seguir rumo a São Luis, e coube a mim olhar a sua bagagem enquanto ele buscava comprar uma passagem para seguir rumo a sua cidade natal Pinheiro-MA. Despedimos cordialmente e cada um tomou seu destino.

E assim foi...


OZEAS CB RAMOS

Nenhum comentário:

Postar um comentário


SUA OPINIÃO É MUITO IMPORTANTE.
COMENTE - DEIXE SUA CRÍTICA, ELOGIO OU SUGESTÃO.
Aproveite e veja também outras postagens desse BLOG.
Obrigado.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...