quarta-feira, 16 de julho de 2014

UM NOVO PENSAR - A ÉTICA, O CONHECIMENTO E A MORAL - Final


Um exemplo que se ajusta a meu pensamento é extraído do conceito de santidade que encontramos no velho e novo testamentos (sou ocidental amigo). De modo geral, no VT para ser santo era preciso manter-se puro. Afastar-se de uma série de coisas e situações, realizar atos purificatórios, etc. Uma vez no NT, santidade é mais bem traduzida como maturidade. Uma pena, pois na tentativa de esboçar essa maturidade cometeram uma falta grave. Não há como trazer maturidade ao ser humano privando-o de sua capacidade intelectual em detrimento à fé. Maturidade está mais próximo da liberdade. A fé o aprisiona a alguns postulados e dogmas. É como se dissessem: espero que sejas maduro, pero no mucho.

Uma pergunta esperada é:

Se deus, a fé, a religião e seus postulados e dogmas, não fazem sentido para você, então o que faz? Como dar ao homem uma ferramenta de equilíbrio, de bons princípios, que ajude a ajustá-lo na sociedade?

Confesso que esperava mais do homem de nosso tempo. Esperava que nesse terceiro milênio, dedicássemos mais de nossa força mental para ”amadurecer” e encontrar uma via alternativa para, mesmo sem o pensamento religioso e sem a figura obscura de um ou mais deuses (desnecessários), alcançássemos equilíbrio pessoal e em sociedade.

Já temos o que se pode transformar em algo válido para esse fim: a ética. Ela que juntamente com o conhecimento e a moral fariam plenamente bem ao homem. Vejo valor na ética por ela não ser um conceito universal, tendo ela um caráter evolutivo. A cada tempo, a cada cultura, ela se renovaria. Estaria assim resolvida a questão relativa à sociedade. Mas você inteligente e intrigado, logo perguntaria: e quanto às questões transcendentes? De caráter ulterior que afetam o homem?

Tenho gasto aqui o meu latim, exatamente para expor o que eu penso sobre essas questões. Não há porque ter tais preocupações. Conhecendo a natureza humana, sabendo que tudo passa por transformações, e que nosso corpo mortal também passará, temos aí encontrado a nossa nova “paz de espírito”. Tudo se transforma, inclusive eu. Tudo passa inclusive eu.

Pessoalmente fico puto com isso. E penso:

- o universo - dez bilhões de anos
- a terra - quatro milhões de anos
- e eu, um merda-mortal vulgarmente chamado humano, menos de duzentos anos. Isso mesmo. Eu queria viver uns duzentos anos pelo menos. Mas não vai dar... Nem poderei dizer como o exterminador do futuro: “I'll be back”.

O que mais existir de dúvidas ficará no campo de nossa limitação. Não encontraremos respostas para todas as nossas inquietações. E não ter tais respostas não traz por inferência a noção de um deus, uma energia, ou coisa que o valha.

Mas sejam por um, cinqüenta ou duzentos anos, conhecer nossos limites e finitude é ter encontrado a nossa resiliência. Para uma mente esclarecida isso já é o bastante.

Mas se ao final você disser: eu creio e isso basta. Para mim, está de acordo. Que assim seja. E se puder pedir-lhe apenas dois favores, esses seriam:

1. Que a sua fé realmente faça sentido em seu viver. Lembre-se que crer traz implicações...

2. Mas que seja em sua vida. Não gaste a minha pouca paciência com a sua fé. Guarde-a como um valioso tesouro para você e/ou para quem solicitar. O que não é o meu caso.

Finalizando esses três textos, penso que consegui evitar ataques ao livre agir, ficando as minhas críticas no campo da especulação filosófica. Compreendendo o direito que cada pessoa tem de escolher um credo e fazer disso a sua razão. E que, ao contrário do R. Dawkins (o ateu mais feroz) não há sentido algum em ser ateu, uma vez que não se pode provar nem a existência nem a inexistência de deus. Por isso é que sou agnóstico e assim permanecerei.

E tenho dito!


OZEAS CB RAMOS


PS:
Recomendo a leitura do livro - Deus, um delírio, de R. Dawkins.
Leiam também:
UM SER LIVRE ATÉ PARA A NEVASCA - parte 1
O SENTIR COMO AFERIDOR DA FÉ PESSOAL - parte 2

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