quarta-feira, 16 de julho de 2014

O SENTIR COMO AFERIDOR DA FÉ PESSOAL – parte 2


Há quem diga (eu já ouvi inúmeras vezes) que a fé, as percepções que uma pessoa tem, está no sentir.

− Mas eu sinto essa “energia”, esse “deus” ou deuses, essa coisa algumas vezes inexplicável. – afirmam. É o tal: “eu creio porque eu sinto”! E ou: Eu sinto, logo existe.

Esse aferidor já era usado quando nos primórdios, por exemplo, (apenas por caráter de exemplo) nos salmos em suas poéticas explicações. Eles falavam “das entranhas” do ser, e era de onde buscavam afirmar o valor da fé que professavam. Uma valia desse “sentir” era que isso concedia ao “sentidor” um caráter mais ”especial” ante outros tantos. Esses passavam a líderes pelo sentir. Estavam mais próximos da sua divindade, de sua vontade e quase sempre eram seus representantes, os seus escolhidos.

Mesmo quando as alegações para a fé são confrontadas por argumentos mais lógicos, racionais, esse “sentidor” se esquiva, e baseia a sua crença em seu sentir. E para ele isso já é o bastante, terreno onde se sente confortável.

É tão óbvio (a mim) que sentir não pode e não deve ser aferidor, que basta lembrar que nosso corpo muda o humor e as percepções por muito pouco, basta um alimento e...

Outro aferidor seria a razão, a nossa capacidade cognitiva que instiga a todo ser humano a conhecer cada vez mais.

Para muitos, fé e conhecimento não se entendem. São de naturezas diferentes. Talvez por isso, quando confrontados as bases de uma fé, alguns prefiram por natureza particular, o sentir. A fé que eles afirmam possuir é bastante para sua necessidade.

Há um postulado que prega a razão e tentam integrar sentir e razão. Até citam físicos e outros tantos para fundamentarem as suas convicções. Esses têm respostas para tudo. Não há o que não possa ser explicado... Embora esses citados não sejam proeminentes em coisa nenhuma, e seus “experimentos” não tragam nenhuma luz para tantos outros... Servem esses apenas para fazer uma ponte entre o inexplicável e a crendice a ser mantida e afirmada.

Ser agnóstico é antes de tudo admitir a própria ignorância face às muitas questões da vida. Então de cara, para um agnóstico ter contato com uma pessoa “religiosa” que pode trazer “luz” para quaisquer questões é no mínimo de causar uma estranheza. Para nós se não se pode trazer uma explicação razoável, essa coisa é inexplicável, e assim permanece sem causar maiores traumas. Para esses outros, se parece inexplicável é porque ”deus” ou a necessidade de “melhorar sempre” que tal coisa acorre. É assim, que deus serve a todo propósito quando a razão humana não consegue uma explicação plausível.

Sem maiores argumentos, sentir e razão, não serviriam como aferidores. Eles sozinhos ou em dupla não alcançam muitas mentes ávidas por explicações...

Permanecem ainda relevantes: De onde eu vim, quem eu sou e para onde vou. Essas são em resumo as questões que movem a todo humano de qualquer tempo. São elas que revelam as nossas limitações.

Como bom agnóstico o que proponho aquele que crê e quer encontrar uma chance de expor sua crença, que quer a minha atenção, ao menos minha atenção, é:

Proponha um novo aferidor. Traga algo novo. Lógico, racional, provável. Nada de um punhado de retalhos, mal organizados, sem fundamentos sólidos... Mesmo que ainda que ao final eu repita Voltaire “Eu não concordo com uma só palavra que você disse, mas defenderei até o fim, o seu direito de dizê-la".

E tenho dito!


OZEAS CB RAMOS


Ps:
Recomendo a leitura desse texto (para quem tiver a paciência pois é um longo texto):
http://ceticismo.wordpress.com/ceti.../porque-sou-agnostico/

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