sábado, 27 de abril de 2013

SEGUIR, SEMPRE SEGUIR





SEGUIR, SEMPRE SEGUIR

A vida não abala seu curso natural
Ela não sofre nossas dores
Nem põe em vasos nossas lágrimas
Ela segue... Sem atraso

A vida segue inexorável
É de sua natureza seguir

A vida também não contabiliza nossas alegrias
Ela não exulta com nossas conquistas
Nem guarda nossos lauréis
Ela segue... Sem esperar
A vida segue inexorável
É de sua natureza seguir

Ela teve princípio ainda não compreendido
Tem decurso diário inevitável e futuro incerto
Ela não para nem para o nosso fim
Ela segue... Sem apiedar-se
A vida segue inexorável
É de sua natureza seguir

Essa também deve ser nossa dinâmica
Não parar nunca e com a vida seguir.
Não importem as circunstâncias
Se tristezas ou alegrias, derrotas ou vitórias
Seguir, sempre seguir.
É também de nossa natureza seguir!
 

OZEAS RAMOS

BEIJO


ETERNO


DOWNLOAD PDF


Para baixar o conteúdo do e-livro (em pdf) Rascunho1966 com 66 textos, acesse:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/4251597


 


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Seja Crítica, Elogio, Dúvida ou Sugestão...

sexta-feira, 26 de abril de 2013

SIGNIFICANDOS


 
SIGNIFICANDOS
 
 
Vida, você é uma desdita só.

E como desfavor sem fim

Catástrofe há de ser miséria

E infortúnio sem dó.
 
 
OZEAS RAMOS

quarta-feira, 24 de abril de 2013

DIÁLOGO ENAMORADO

 

DIÁLOGO ENAMORADO

É bom ter alguém
É bom ter alguém bom
É bom alguém ter alguém bom

É bom ter um bem
É bem bom ter um bem
É bem bom ter um bem bom

É bom querer bem
É bem bom querer um bem
É bem bom querer um bem bom

E como é.
Muito bom.
É muito bom meu bem.


OZEAS RAMOS

segunda-feira, 22 de abril de 2013

SABER ANTES







Tem umas coisas que eu sei
Não sei como sei
Só sei
Alguns chamam intuição.
Basta olhar...
E descortinam alguns detalhes
Sem que me falem deles
Beira preconceito
Porque é saber antes
Desconcerta-me.
Incomoda-me.
Saber “antes” é phoda.


OZEAS RAMOS

domingo, 21 de abril de 2013

ACASO



ACASO

Porque mitiga em lágrima tua dor
E há quem a tua dor importe?
Não sofras, não chores de amor

Nem lamentes ter triste sorte.

Pois saiba que por ai dizem
Ser até bom de amor sofrer
De certo esse falante não ama
Restando-lhe o triste morrer.

Levanta tua fronte e caminha
Pois quem sabe à frente sozinha
Nunca mais estarás enfim.

A vida permita entrementes
Estando à mercê das correntes
No acaso, encontres a mim.
 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

DECIFRE

DECIFRE...




CURTAM AS PÁGINAS NO FACEBOOK.
(links no rodapé)

ASAS


 


Errei duas vezes:
Quando bem cedo
dei-lhes asas para que voassem.
E depois
quando abri-lhes as portas da gaiola
...
Eu sempre quis voar,
eles precisavam de chão.

OZEAS RAMOS
www.rascunho1966.blogspot.com.br


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BARCOS DE PAPEL


Finalmente, chuva com cara de chuva. Já não era sem tempo. Aqui estava um calor desgraçado. Dizia ser a antesala do inferno. Meu companheiro, o... ventilador, estava quase numa jornada de 24 horas. Estou agora sentado rascunhando, vendo e ouvindo a chuva.
Uma primeira lembrança que tenho da chuva remonta à infância no interior. Devia ter quatro ou cinco anos.


Após um longo período (para uma criança) de chuva, numa hora de estiagem, fui mandado à quitanda comprar algumas coisas necessárias em casa. De tão pequeno, nem sabia pedir o que precisava, nem lembraria. O artifício era um bilhete. Nesse dia levei um bilhete e uma cédula, que só lembro a cor mais avermelhada, não sei qual o valor.

Sai em direção à venda, que ficava no mesmo lado da casa que morava, e que facilitava minha chegada a ela. Bastava caminhar um pouco e estaria lá.
No caminho, uma correnteza formada pela água da chuva ainda descia a rua, e mais à frente uns meninos brincavam com a água. Aproximando-me mais, percebi que faziam barcos de papel e soltavam na corrente d’agua para que navegasse livre. Pense num encanto ver os barquinhos navagenado, descendo na correnteza? Distraí-me por completo. Não tinha proximidade com a garotada, nem coragem para pegar em um dos barcos. Mas apreciava absorto. A água corria transparente, límpida. E os barquinhos a navegar...


Quando finalmente lembrei-me da missão a que estava submetido caminhei rumo a meu destino. Lá chegando, levantei a mão com o bilhete que especificava o que precisava levar e ouvi do balconista: E o dinheiro? Não sabia onde estava a cédula. Lembrava que havia saído com uma nota e um bilhete.
Essa é a parte que não gosto de lembrar: na distração do caminho eu havia perdido o dinheiro...


A chuva voltaria a marcar mais vezes a minha vida.
Mas isso é outra história! Outras...

OZEAS CB RAMOS
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VAI UM ABRAÇO AÍ?


quinta-feira, 18 de abril de 2013

PALHAÇO TRISTE





Sou um palhaço
Assim chamado palhaço
E assim eu sou
Mas sou palhaço triste
Não tenho piadas
Nem comicidade
Não faço rir
Nem maquiagem carrego
Em meu rosto apenas uma lágrima
A minha máscara sou eu
Sou aquilo que fiz de mim

OZEAS RAMOS

quarta-feira, 17 de abril de 2013

PRÓPRIO MUNDO




Não sei prosar e versar
Me expresso livre de formas.
Pura desagonia de uma alma inquieta
Que, sem autocontrole
E alheia à minha vontade particular
Rascunha-se a si mesmo
Numa loucura distinguivel
De tornar concreto
O próprio mundo das ideias.
Assim acrescento-me alegrias e dores.
Alegria de libertar-me
A cada rascunho psicografado
E a dor de saber que logo em seguida
Um novo mundo descortina-se-á
E eu, meditabundo
Permanecerei escravo desse senhorio.



OZEAS CB RAMOS
BLOG RASCUNHO1966
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SUA OPINIÃO É MUITO IMPORTANTE.
COMENTE - DEIXE SUA CRÍTICA, ELOGIO OU SUGESTÃO.

POESIA EM VOCÊ



POESIA EM VOCÊ
Há poesia todo dia, mesmo quando não estamos sensíveis à suas manifestações.
Cada um, mais ou menos, compreenderá de acordo com sua percepção e momento.
No amanhecer, quando no horizonte nasce o sol.
No espreguiçar-se e esboçar o primeiro sorriso do dia.
Nos primeiros pensamentos que tomam a mente ainda despertando.
No cantar dos pássaros.
No passar das nuvens ao sabor dos ventos.
Na chuva que cai e na água que corre.
Na gente que sorri, gargalha, canta, declama.
No dia que passa, na tarde que chega.
No sol que parte solitário e deixa a noite tomar seu lugar.
Quem quer vê poesia em tudo.
Eu vejo poesia em você.
  
OZEAS RAMOS


DOE ALIMENTOS

DOE ALIMENTOS
Uma campanha em prol do NASPEC.
Novos itens!!!
O Núcleo Assistencial para Pessoas com Câncer - NASPEC presta pleno apoio aos pacientes oncológicos... dos 416 municípios da Bahia durante o seu tratamento na capital, que além de amor, carinho, proteção, e cuidados paliativos, precisam de um teto para descansar o corpo e revigorar suas forças para o próximo dia de tratamento com segurança. 


No momento,estamos solicitando a doação dos seguintes itens para que possamos dar continuidade do nosso trabalho:
FEIJÃO, CAFÉ, ALHO, EXTRATO DE TOMATE, FARINHA DE MANDIOCA, CORANTE, CARNE (ACÉM E MÚSCULO), FRANGO, TOALHA DE PAPEL (TIPO ESCRITÓRIO), DESINFETANTE, DETERGENTE, MARGARINA, ÁLCOOL COMUM, DEXAMETASONA 4MG. 

terça-feira, 16 de abril de 2013

VELHA FONTE NOVA – PARTE 1


VELHA FONTE NOVA – PARTE 1


Ainda não conheço a nova Arena Fonte Nova. Mesmo durante o processo de construção passei poucas vezes por lá. Logo, o que irei ver quando finalmente for a um jogo será completa novidade. É inegável que ficou linda, moderna, ao menos pelo que se pode concluir vendo pelo televisor. Tenho muita expectativa de ir conhecer a Arena, ainda mais para quem era frequentador assíduo do Estádio Otávio Mangabeira, a velha Fonte Nova. Eu gostava de ir aos jogos no velho estádio. Bem localizado, fácil encontrar transporte para ir e mesmo para voltar. Uma vez que em meu caso, eu saia do estádio e ia pegar meu ônibus no Forte de São Pedro. Uma boa paleta era verdade, mas chegava mais rápido em casa.


Havia dois jogos distintos que geravam energias parecidas. Um deles era a RODADA DUPLA. Vitória e Bahia enfrentavam outros adversários em jogos consecutivos. VI X ABB e Ba X Redenção, ou, Ba X Galícia e VI X Leônico. Era muito bom ver rodada dupla. Pagava-se um jogo e assistia dois. E quando a carniça perdia e nós ganhávamos... a alegria era em dose dupla. O contrário não é bom lembrar.

O outro jogo é o clássico Ba X VI. É um “troço” diferente desde os dias que antecedem a partida. A rivalidade aflora, surgem gozações inteligentes no intuito de desclassificar o adversário, a formação das embaixadas para ir ao estádio, geram um clima de muita ansiedade. Ninguém quer perder o clássico. E nunca há favoritos, mesmo quando um dos times está aparentemente melhor. Sempre ocorrem surpresas (não irei falar do 1X5 recente para não desviar o foco).

Algo que chama minha atenção é a diferença do modo de torcer. No passado podíamos ir juntos em um mesmo ônibus. Chegar ao estádio em turmas de torcedores sem violência alguma. No máximo limitávamos a entoar cantos de guerra e de gozação: “ô ô ôoooo, todo vxxxx que conheço é tricolor”... E também ouvir alguma réplica. Fazia parte do espetáculo.

O que não era tolerado era permitir que um torcedor uniformizado entrasse na área reservada para a torcida adversária. Mas há uma grata lembrança na velha Fonte. Havia um espaço para a torcida mista. Torcedores menos fanáticos ou parceiros e cônjuges “rivais” podiam ver o jogo sentados lado a lado, sem assombros ou medos.

Bons tempos!


Continua.

VIVAZ




VIVAZ


Não interessa quanto prense a moenda
Quanta dor experimente
Nem quanto sangue corra de mim
Sinto-me vivaz
Rindo dos bois que giram a mó
Pois passada minha agrura
Comerei bifes suculentos
Alguns mal passados
Cortados finos e ao molho madeira.


OZEAS RAMOS

segunda-feira, 15 de abril de 2013

OBRIGADO



SUPERFICIALIDADES




SUPERFICIALIDADES

Superficialidades
Almas sem rosto
Sorrisos sem alegria
Festas sem razão
Geometria sem dimensão
Sou eu e você:
Solidão!


OZEAS RAMOS

domingo, 14 de abril de 2013

O MENINO, O VELHO E O BURRO




O MENINO, O VELHO E O BURRO


Com o novo comercial da Caixa Econômica, em que uma família passeando de carro é surpreendida com o filho caçula lendo os letreiros "o Zezinho está lendo!” (Ca-i-xa, Caixa Lo-te-ri-a) lembrei da primeira estória que li. Ler e perceber a moral que o texto queria ensinar. Como sempre a primeira vez a gente nunca esquece.

Pois bem. Ela era sobre um menino, o velho e o burro.

Um velho resolveu vender o seu burro na feira da cidade. Como iria retornar a pé, chamou o neto para acompanhá-lo. Montaram os dois no animal e seguiram viagem.
Passando por umas barracas de escoteiros, escutaram os comentários críticos; "Como é que pode duas pessoas em cima deste pobre animal!".
Resolveram então que o menino desceria, e o velho permaneceria montado. Prosseguiram...
Mais à frente estava uma lagoa e algumas velhas estavam a lavar a roupa. Quando viram a cena, puseram-se a reclamar; "Que absurdo! Explorando a pobre criança, podendo deixá-la em cima do animal”.
Constrangidos com o ocorrido, trocaram as posições, ou seja, o menino montou e o velho desceu.
Tinham caminhado alguns metros, quando algumas jovens sentadas na calçada mostraram seu espanto com o que presenciaram; "Que menino preguiçoso! Enquanto este velho senhor caminha, ele fica todo prazeroso em cima do animal. Tenha vergonha”!
Diante disto, o menino desceu e desta vez o velho não subiu. Ambos resolveram caminhar, puxando o burro.
Já acreditavam ter encontrado a fórmula mais correta quando passaram em frente de um bar. Alguns homens que ali estavam começaram a dar gargalhadas, fazendo chacota da cena; "São mesmo uns idiotas! Ficam andando a pé, enquanto puxam um animal tão jovem e forte”!
O avô e o neto olharam um para o outro, como que tentando encontrar a maneira correta de agir.
Então ambos pegaram o burro e carregaram-no às costas!


Quanto à moral da estória, fica por sua conta! (risos).


Extraído do site:
http://www.curvasdeminas.com/2012/02/o-velho-e-o-burro.html.



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O ACASO TROUXE VOCÊ



Solidão esteve desde muito comigo, companheira solidária. Logo ela cuja missão é fazer sofrer acompahava-me obstinada. Quase ficamos amigos. Era dela o último “boa noite” mesmo quando permanecia comigo à cama noite adentro. Ela quase não ia embora. E bem cedinho (pois acordo cedo todos os dias) era seu o primeiro “bom dia”!

Para evitar a mesmice de estar a sós comigo, chato de nascimento, ela trouxe e me apresentou a uma de suas melhores amigas: a Tristeza. Ela nem me perguntou se aceitaria sua presença. Foi chegando e se instalando para ficar.

A Tristeza quando chegou era muito diferente. Penso que disfarçava. Com o passar dos dias, a Tristeza começou a mostrar quem realmente era. Ela era mestre em fazer sofrer assim como a Solidão. Cabelo e barba agora: primeiro a Solidão, depois a Tristeza.

Começavam a sufocar-me. Tinha comigo muita Solidão e muita Tristeza. Já dominavam minha vida. Não me davam folga estando sempre comigo. Era sempre eu, a Solidão e a Tristeza.

Mas um antigo conhecido, que há muito tempo não via, resolveu aparecer sorrateiro. Quase não o reconheci. Ele é mágico e quando quer surpreende. Chega e transforma a vida, trazendo o novo, o inesperado.

Foi ele, o Acaso, que me trouxe você: Linda! Especial!

Não me deu as explicações do porque se deu ao trabalho de trazer você para dentro de minha vida, e de colocar você meu coração. Apenas disse-me pouco antes de desaparecer, que você traria consigo três novos amigos, e que eu, se bem o ouvisse, aceitaria também seus amigos como sendo meus amigos também.

Seriam eles: O Amor, a Reciprocidade e a Felicidade.

Desde então, não sei o porquê, se por inveja de você e de seus três amigos, nunca mais vi as duas.

A Solidão e a Tristeza se foram. Desapareceram de minha vida! Ufa!

Agora somos: eu, você, o amor, a reciprocidade e a felicidade.

Penso que um dia desses deveríamos ir conhecer o Para Sempre. Aí ficaria perfeito!


OZEAS RAMOS

VIDA - TAISE SANTOS




sexta-feira, 12 de abril de 2013

FLOR DA QUIXABEIRA






FLOR DA QUIXABEIRA

12/04/2013
 

Sou fruto da Lei das Ordenanças
A desbravar rincão pelo sertão
Fiz carreiras, fiz andanças,
Nas teias do mundo de montão.

Naveguei certeiro pelas águas
Fui à mercê da correnteza
Procurei junto às terras douradas
Achei: flor, pedra preciosa e beleza.

Sou bandeirante em carreira
Como Anhanguera prospector
Sob a flor da quixabeira
Minh’alma encontrou frescor

Assim acabou minha desdita
E por aqui quero fincar
Como raiz do quintal de Nita
Junto a ti me eternizar.

Rohayhu Aluapakle


OZEAS CB RAMOS

COLÉGIO E. PRESIDENTE COSTA E SILVA - 2

A CONVERSA QUE FEZ UM MENINO CRESCER

COLÉGIO ESTADUAL PRESIDENTE COSTA E SILVA



A oitava série já estava no “papo”. Aprovado, agora era pensar nas férias e na matrícula para o primeiro ano. Quando tudo parecia tranquilo, e as conversas eram sobre aqueles que mudariam de escola, para onde iriam, o afastar-se dos amigos, etc... Eis que surge um chamado para uma conversa particular. Ela era professora de EMC – Educação Moral e Cívica. Idade adiantada, cabelos já grisalhos, passos lentos, a professora vovó de muitos.

Sobre o que seria essa tal conversa? Dessa professora exatamente? E por que particular?

Nesse tempo (velho é a mamãezinha) não se dizia: “a casa caiu”! Mas era o que estava para acontecer.

Uma sala enorme. Ela sentada e o corajoso (quase morrendo de curiosidade) entra, senta-se e pergunta com voz trêmula: Sim professora, a senhora gostaria de falar comigo?

Por que será que nessas horas a eternidade manifesta-se em pequenos intervalos de tempo?

- Sabe o que é isso aqui em minha mão?

Ela segura uma folha de papel ofício, dobrada e grampeada. Como saberia o que havia escrito nessa bendita folha?

E ela mesma prossegue:

- Sua expulsão. Você está expulso do Colégio. Terá que procurar outra escola para estudar.

Já foram expulsos seus três colegas (veja parte 1) e a sua eu peguei para primeiro conversar com você.

sustodocxrxlho!

Todas as merdas feitas nos quatro anos do ginásio estavam agora à minha frente. Nenhuma suspensão, mas o volume de pequenas merdas gerava esse resultado.

Lembro-me de parte de suas palavras. O tom de voz de uma avó, amável e doce.

- Meu filho. Você tem 13 anos, quase quatorze. Está na hora de deixar de ser menino, moleque e ser homem. Mudar atitudes.

Eu peguei sua expulsão. Agora podemos decidir o que você preferirá. Deixar de ser menino e passar a ser homem, ou pegar esse documento ir. Caso queira eu rasgarei. Mas terá que dar sua palavra que você irá mudar.

Mais uma eternidade na mesma conversa. Não tinha o que pensar ou o que decidir. Havia chegado a hora de mudar. Era minha única opção.

Palavra empenhada, o susto fez seu papel. Mudei. E conclui o segundo grau sem maiores sustos. Graças à professora Adalgisa.


OZEAS CB RAMOS

PARTE 1: http://rascunho1966.blogspot.com.br/2013/04/colegio-e-presidente-costa-e-silva-1.html

segunda-feira, 8 de abril de 2013

PEGA-VARETAS

Concebe alguém sem paciência como eu jogando pega-varetas?

Diversão de criança pobre meu amigo, não era com consoles de games, computadores e eletrônicos...

Brincar era usar imaginação e criatividade. E apenas quando a sorte ajudasse ganhar um brinquedo fabricado.

Você brincou de pega-varetas? Conhece o jogo?

Segurando o conjunto de varetas com uma das mãos, todas na vertical, solta sobre uma superfície plana, espalhando-as.

Cada jogador por sua vez, tentará retirar quantas varetas puder sem que nenhuma das outras se mova. Movendo qualquer uma contra outra, passa a vez a outro jogador. As varetas são pontuadas de acordo com as cores e há uma vareta especial preta, que pode ser utilizada para retirar as demais.

As varetas tinham a seguinte pontuação:

Amarela:             5 pontos;
Verde:                 10 pontos;
Azul:                    15 pontos;
Verm:                  30 pontos;
Preta:                  100 pontos.



Nem sei se ainda fabricam e vendem, mas é uma opção para apresentar aos “leks” de hoje.

OZEAS RAMOS


Veja mais em: http://edasuaepoca.blogspot.com.br/2012/03/1961-pega-varetas.html

COLÉGIO E. PRESIDENTE COSTA E SILVA - 1

COLÉGIO ESTADUAL PRESIDENTE COSTA E SILVA

GINÁSIO – PARTE 1

Imagem da Net
Meu ginásio aconteceu no Colégio Estadual Presidente Costa e Silva. Ficava no Largo da Madragoa no bairro da Ribeira. Tinha dez anos. Dirigido pelo temido (leia-se respeitado) Diretor Milton.

Lembro-me da adaptação. Como muda. O primário e a mente infantil e o ginásio com início das grandes experiências da vida e o chegar da “maldade”. Ou fica esperto ou dança.

Nesse ano conheci amigos que permaneceriam por quatro durante todo ginásio. Éramos os quatro mosqueteiros: Ozeas, João, Daniel e Dartagnam.

Éramos assim distinguidos (lembrem que bullying é visão moderna. No passado por apelido e sacanear "fazia parte"...):

Ozeas – o sonso; João – o sardento; Daniel – o magro; Dartagnam – o gordo.



Imagem da Net

Aprontávamos coisas bobas, infantis. Nada que prejudicasse quem quer que fosse. Mas o suficiente para dar graça à vivência escolar.

Como por exemplo:

Jogar bola em sala de aula, acertando a parede que dava para a área administrativa da escola. Objetivo? Simples. Ser chamado à vice-diretoria. Ver Adiza, mulherão estilo Vera Fischer. Linda, e claro muito gostosa. Já desconfiávamos que “aquilo” era bom. Sentar numa cadeira e quase recostar-se para pegar “um lance”... Não tem preço. Até hoje penso que ela gostava do assédio bobo.

Outra molecagem. O Dartagnam teve por dois ou três anos uma pasta preta 007. Aquilo era um troço enorme e horroroso para um garoto. Servia apenas para, nas aulas chatas, derrubá-la tirando atenção do professor com o estrondo ao tombar no chão. O que rendia risadas da turma.

O mais grave dos deslizes era soltar “cordão cheiroso”. Nome inapropriado para o tal artefato. O troço fedia pra cxrxlhx.

Artes que renderam certa fama negativa, que só descobriríamos sua gravidade quando na oitava série fomos chamados pela idosa professora Adalgisa para uma conversa particular. O fato de sermos bons alunos atenuou nos anos anteriores, mas agora não mais. Literalmente a casa caíra.

Próximo post: A conversa que fez de um menino crescer.










OZEAS CB RAMOS

PARTE 2: http://rascunho1966.blogspot.com.br/2013/04/colegio-e-presidente-costa-e-silva-2.html

domingo, 7 de abril de 2013

NÃO DESPERDICE ÁGUA



ENIGMA EM FORMA HUMANA FEMININA

ENIGMA EM FORMA HUMANA FEMININA



Questão de honra descobrir quem ela é. Ou o que ela é. Esse ser noturno. A noite é seu tempo comum. Era sábado e estavamos cada um em sua casa. Em comum, o chat do facebook. Seres estranhos também utilizam tecnologia.
Por mais de duas horas eu tentei em vão perscrutar esse ser. Minhas habilidades mostrariam-se inúteis e falíveis.



Ela não é um ET, nem um OVNI. Por razões óbvias. Disse publicamente ser um OVNI. Mas era para despistar. Tinha uma certeza: ela esquiva-se com habilidade única.
Minha primeira dúvida residiu entre ser vampira ou vagalume. Ela eliminou ser vagalume.
Arrisquei-me e como era madrugada, pedi a eternidade. Afinal, como dizem, sou do lado negro da força e possuir a vida eterna me fascina. Mas ela não voou até minha janela para oferecer-me. Meu pescoço e mortalidade estavam preservados. Logo, vampira não era.
Perguntei sobre gostar do mar. Tinha uma desconfiança que seria uma sereia. E com uma negativa própria, peculiar, desfez minha intuição. Estava difícil. E reclamei. Ela não facilita.
Daí revelou-me gostar do campo, da mata. Ela é assim, mostra-se em pequenas doses.
Minhas deduções seguiram. A cuca era feia. A caipora também. A mula é sem cabeça. Nada combinava. Estava confuso.
Olhem que não sou curioso. Mas esse enigma em forma humana feminina de deixou assim. Nada era elementar nessa criatura.
Por um instante lembrei-me da lenda de Naiá – Naiá vitória-régia. E ela sorriu.






Disse-me ter ouvido quando criança, mas não lembrava. Foi o mais próximo que cheguei. Ela mesma reconheceu.
(Leiam sobre a lenda em:
http://rascunho1966.blogspot.com.br/2013/02/naia-vitoria-regia.html.)
Era quase meia noite. Não havia lua cheia. Noite calma de vento leve. Um silêncio nas bandas de cá me confidenciava: era chegada sua hora. Iniciaria em instantes seu ritual de transformação.
Como estava longe, eu não poderia distinguir entre Naiá ou feitiço de Áquila (
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ladyhawke).
Estava preservada sua identidade intrínseca.

OZEAS RAMOS

sexta-feira, 5 de abril de 2013

TOPÓ 3 – O BRUXO


– O BRUXO

Não passe sem olhar
Não olhe sem entrar
Não entre sem cortar
Não corte sem pagar
Barbearia Topó

Nunca achei uma palavra que definisse TOPÓ. Ele tinha um modo particular de dirigir-se a todas as pessoas. Tratava com todos de todas as idades e sexo. Não havia distinção de tratamento. Qualquer um recebia o mesmo tratamento. Não permitia privilégios. Seria atendido quem primeiro chegasse. Logo todo mundo gostava dele.

Ainda moleque ele me deu uma notícia:

- Gordo (eu era magro), você vai ficar careca (eu tinha muito cabelo nessa época)!

Lembro que perguntei pra ele se isso era notícia que um barbeiro desse a um cliente.

Mas, havia uma atitude que eu achava chato na hora, engraçada depois, e que ele repetia com frequência.

Ao passar uma grávida, ele parava o atendimento ao cliente que estivesse sentado, batia a tesoura que é um agir comum dos barbeiros, e saía até ela. Quem estivesse sentado ficava esperando o barbeiro belenense fazer suas relações públicas e marketing. Ele falava com todos e é claro com aquele futuro cliente ainda no ventre da mãe. Por isso eu o chamava de bruxo. Era como se quisesse hipnotizar a criança (eu dizia para ele). Após nascer, quando precisasse cortar cabelo o moleque já “saberia” a quem procurar. A qual barbearia dirigir-se.

Ele apenas ria sorriso curto. Nunca reclamou das bobagens que dizia pra ele.

Lá só não era permitido perguntar preços dos serviços como eu fazia sempre:

Cabelo tá quanto?

E barba?

Hummm

E pentelho Topó?

Como ele dizia em tom mais sério:

- pentelho é de graça gordo.

- Fulano, pegue o álcool e fósforo...


OZEAS RAMOS




: TOPÓ PARTE 1

: TOPÓ PARTE 2

EDADUAS


De tanto que deixei de mim aí
E de quanto trouxe de você comigo
Que a saudade está invertida
EDADUAS


quinta-feira, 4 de abril de 2013

MARCAS



MARCAS


Como sudário

Sacrossanto

Tua imagem em mim

Impregnada

Marcas

Amor

Leveza

Deixa-me bobo

Embebido

Por teu sorriso
E carícias

OZEAS RAMOS

FARFALHAR

 

Direitos X liberdade de expressão

Difícil tarefa a de conciliar a luta por direitos X liberdade de expressão.
Mas é um exercício necessário.
 


 


















OZEAS RAMOS
www.rascunho1966.blogspot.com.br

quarta-feira, 3 de abril de 2013

TOPÓ 2 – MINHA PRIMEIRA BARBA


– MINHA PRIMEIRA BARBA

Não passe sem olhar
Não olhe sem entrar
Não entre sem cortar
Não corte sem pagar
Barbearia Topó

Com todas as transformações pelas quais passam um adolescente, eu não teria uma que toma atenção de muitos nessa idade: ver a barba crescer. Tenho cabelo por todo corpo e até na segunda falange dos dedos. Na escola diziam: se demorasse mais 5 minutos nascia macaco. Bullying não é coisa nova.

Chegara a hora. Pensem em quantos dias treinando fazer tal pedido?

- A barba, por favor.

- Gostaria de fazer a barba.

Tudo bem treinado, afinal essa angústia era por ser a primeira. Lá vou eu.

Estava com doze anos e, já acostumado com meu barbeiro falante, me sentei no que seria minha cadeira preferida, e com tom exigente pedi-lhe: - barba. - É o que chamamos fazer barba.

Ele tinha um sorrir curto que ficava entre o deboche e o não entender. E assim sorriu.

- Como é? - Perguntou-me.

E eu cheio de ousadia: - fazer a barba. - Já acomodado na cadeira.

Novo sorriso. Deve ter se passado umas seis horas entre esse sorriso e sua próxima fala.

- Levante menino. Para fazer sua barba, terei que pedir permissão para seu pai.

Dias treinando meu pedido e ele surge com essa. Levantei-me com raiva própria dos frustados e tratei de cair fora. Nunca mais volto. Tá, pensei uns palavrões.

Dois ou três dias após, passando à frente da barbearia ele me chama e informa-me:

- Falei com seu pai, ele me autorizou. Quando quiser pode vir que farei sua barba.

O que aconteceu sem novidade.


OZEAS CB RAMOS


PARTE 3: http://rascunho1966.blogspot.com.br/2013/04/topo-parte-3.html

PARTE 1: http://rascunho1966.blogspot.com.br/2013/03/topo-parte-1.html

SECA




SECA

A estiagem causticante
Não mata de sede o bode e o carneiro,
Não seca plantas e raízes,
Não deixa sem alimento a vaca e a carijó,
Nem destrói a alma do sertanejo
Quem perde com a seca
E perde a vida é a terra.
É ela que mata a sede com suas aguadas
Que sacia a fome com suas sementes e raízes
E mitiga o sofrimento do caboclo.
Todos eles: plantas, animais e gente
Vendo a terra sofrer
Morrem em solidariedade a ela.


OZEAS CB RAMOS
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