domingo, 24 de março de 2013

PEDRARIA VÃ




PEDRARIA VÃ


Caminhos e pedras são intrínsecos.
Sempre existirão pedras. Pedras no caminho daqueles que caminham.
O diabo Drummond é que um dia você encontra a "pedra" e sem saber o que fazer nem como agir, resolve carregá-la vida a fora.
Poderia desviar pular, destruí-la. Mas você carrega a "bendita" pedra.
Continua seu caminhar, que por si só já tem seus fardos próprios. E você mesmo em estupidez desmedida acrescenta peso à própria vida.
Você carrega a pedra bandida, mas é ela quem reclama todo tempo.
Que você está devagar.
Que você não cuida dela.
Que você não muda posição.
Que ela já está cansada.
Que se ela soubesse não se deixaria carregar por você.
Que ela não sabe o que tinha na cabeça quando aceitou seguir com você.
E mais um sem números de reclamações.
Tem pedra bandida que até diz não ver qualidade alguma naquele que a suporta no dia a dia.
Com o tempo, você acostuma com o troço. Nem senti o peso. E quando alguém mais curioso te pergunta o que você faz com a pedra, você nem pensa e responde:
É leve, bonita, até gosto dela!
E segue carregando-a vida a fora.
Mas o tempo é mestre daqueles que carregam pedras, pedras bandidas.
Surgem as dores. Carregar pedra traz consequências. As primeiras são as dores. O trem vive reclamando, exigindo de você cada vez mais, e ela mesma não oferece nada que alivie o caminhar. Não podemos esquecer que ela é apenas pedra.
O tempo mestre faz chegar uma hora na vida de todo caminheiro que você começa a perceber que carrega um peso sem préstimo.
O que resta é desprender-se. Até penso que de você mesmo e não tanto da pedra. Quando você entende a inutilidade que está vivendo.
A pedra fica. Quem segue é você.
Sem pedras. Sem peso.


OZEAS CB RAMOS

Um comentário:

  1. O texto acima é um divagar sobre o poema de Drummond (abaixo):

    No meio do caminho
    CARLOS DRUMMOND

    No meio do caminho tinha uma pedra
    tinha uma pedra no meio do caminho
    tinha uma pedra
    no meio do caminho tinha uma pedra.

    Nunca me esquecerei desse acontecimento
    na vida de minhas retinas tão fatigadas.
    Nunca me esquecerei que no meio do caminho
    tinha uma pedra
    tinha uma pedra no meio do caminho
    no meio do caminho tinha uma pedra

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